A Justiça italiana decidiu, nesta quinta-feira (28), manter a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) presa no país durante o processo de extradição. Ela foi detida no dia 29 de julho. A decisão ocorreu após três audiências e a análise do laudo de saúde.
Na última audiência, nesta terça-feira (27), a perita do tribunal, Edy Febi, falou por videochamada que não existe incompatibilidade entre a condição de saúde de da deputada e a permanência na prisão. Segundo a corte, há risco de fuga de Carla Zambelli.
A corte “determinou que a interessada continue detida no cárcere, por entender que nenhuma medida alternativa seria suficiente para eliminar o risco de fuga e garantir o processo de extradição”, aponta a decisão. A informação é do site “Uol”. Zambelli seguirá detida na penitenciária feminina de Rebibbia.
Laudo médico
Segundo o laudo médico, as condições clínicas da deputada permitem sua permanência na penitenciária feminina de Rebibbia e não impedem eventual transferência aérea ao Brasil. O laudo afirma que não há risco imediato de morte. Com base na documentação analisada e na visita médica, a perita listou um conjunto de diagnósticos. O exame foi realizado em 18 de agosto, dentro da penitenciária.
“Embora apresente distúrbio depressivo e dificuldades relacionadas ao sono, desde o início da detenção não foram registrados comportamentos autolesivos, e Zambelli se mostrou lúcida e adequada nas entrevistas clínicas”, diz o documento.
Na conclusão, a médica aponta que as enfermidades são compatíveis com o regime carcerário. A decisão de realizar a perícia foi tomada durante a audiência de 13 de agosto, quando Zambelli afirmou que estava passando mal no tribunal e foi atendida por um médico do sistema nacional de saúde italiano.
Zambelli fugiu para a Itália após ser condenada a dez anos de prisão pelo STF. A decisão na Primeira Turma do Supremo foi por unanimidade (5 votos a 0), pelo caso da invasão hacker aos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O que diz a defesa de Carla Zambelli?
A defesa de Zambelli argumentou que o histórico clínico tornava insustentável a permanência em regime fechado. Por isso, o advogado Fabio Pagnozzi entrou com pedido de liberdade ou prisão domiciliar durante o processo de extradição.
Zambelli tem “adoecimentos psiquiátricos e neurológicos graves”, diz perícia contratada pela defesa. Ela necessita de “suporte multidisciplinar contínuo”, segundo o documento, publicado na semana passada pelo jornal “O Globo”. Essa perícia não é a mesma da realizada pela Justiça italiana.