Mercados globais operam em compasso de espera por PCE nos EUA

Investidores reagem a possível corte de juros nos EUA e aguardam desdobramentos da Lei de Reciprocidade anunciada pelo governo Lula
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Os mercados globais amanhecem em trajetória negativa, nesta sexta-feira (29), com os investidores à espera do índice de inflação PCE, principal termômetro inflacionário usado pelo Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) para balizar a política de juros.

O dado de julho, a ser divulgado às 9h30, deve influenciar diretamente as apostas sobre o início do ciclo de corte de juros nos EUA — hoje com 85% de probabilidade para a reunião de 17 de setembro, segundo a ferramenta FedWatch da CME.

Economistas esperam alta de 0,2% no PCE mensal e 2,6% na comparação anual. A meta inflacionária perseguida pelo Fed é de 2% ao ano. Caso os números confirmem a desaceleração da inflação, a autoridade monetária pode reforçar o tom dovish (mais brando) sinalizado recentemente pelo presidente do Fed, Jerome Powell.

No Brasil, o mercado monitora a ofensiva do governo Lula em resposta ao fim da isenção para pacotes de até US$ 800 — medida conhecida como “taxa da blusinha” adotada pelos EUA. O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como legítima a abertura de processo com base na Lei de Reciprocidade, embora tenha ressaltado a intenção de diálogo.

Também estão no radar a entrega do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2026 ao Congresso, o resultado fiscal de julho e falas de Lula, Gabriel Galípolo (presidente do Banco Central) e Fernando Haddad (ministro da Fazenda) ao longo do dia. Mais tarde, às 11h, será conhecido o índice de confiança do consumidor americano de agosto, outro sinalizador relevante sobre a resiliência da economia dos EUA.

Brasil

Ibovespa avançou 1,32% na quinta-feira (28), fechando aos 141.049 pontos — com direito a recorde intradiário: 142.138,27 pontos pela primeira vez, superando os 141.563 registrados em 4 de julho.

Enquanto o dólar comercial recuou 0,19%, a R$ 5,406, e os juros futuros caíram ao longo da curva.

Os investidores repercutiram uma combinação de fatores domésticos e internacionais. Lá fora, o S&P 500 também renovou máximas ao tocar 6.500 pontos, mas com fôlego menor. Investidores ainda digerem os resultados mistos da Nvidia, com dúvidas sobre vendas de chips à China.

Europa

Os mercados europeus operam em queda, com foco nos dados de inflação das principais economias da região e dos EUA. Investidores aguardam os números da França, Espanha, Itália e Alemanha antes da prévia da zona do euro, na próxima terça (3). No Reino Unido, executivos bancários demonstram preocupação com possíveis medidas mais rígidas do governo. Segundo o Financial Times, Rachel Reeves, chanceler do Tesouro, pode adotar ações fiscais mais duras para equilibrar as contas públicas.

STOXX 600: -0,46%
DAX (Alemanha): -0,53%
FTSE 100 (Reino Unido): -0,28%
CAC 40 (França): -0,58%
FTSE MIB (Itália): -0,33%

Estados Unidos

Os índices futuros dos EUA recuam hoje, mas os três principais indicadores caminham para encerrar agosto com ganhos sólidos. O Dow Jones, formado por 30 ações, acumula alta de 3,4% no mês, mesmo com variação praticamente estável na semana (+0,01%). O S&P 500 sobe 0,5% na semana e registra avanço de 2,6% em agosto. Já o Nasdaq, com forte peso de empresas de tecnologia, ganha cerca de 1% na semana, o que eleva a valorização mensal para 2,8%.

Dow Jones Futuro: -0,31%
S&P 500 Futuro: -0,30%
Nasdaq Futuro: -0,46%

Ásia

Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam sem direção única, refletindo dados econômicos mistos. Em Tóquio, o núcleo da inflação subiu 2,5% em agosto, abaixo da alta de julho, mas ainda acima da meta do Banco do Japão. A taxa de desemprego japonesa recuou para 2,3% em julho. Na Índia, os investidores acompanham a agenda externa do premiê Modi, que pode se reunir com Xi Jinping na China. O encontro ocorreria durante a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, em Tianjin.

Shanghai SE (China), +0,37%
Nikkei (Japão): -0,26%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,32%
Nifty 50 (Índia): +0,05%
ASX 200 (Austrália): -0,08%

Petróleo

Os preços do petróleo também recuam nesta sexta-feira, devolvendo parte dos ganhos da véspera. O movimento ocorre após a redução das expectativas de um avanço nas negociações de paz na Ucrânia, o que diminui a perspectiva de maior oferta de petróleo russo no curto prazo nos mercados globais.

Petróleo WTI, -0,46%, a US$ 64,30 o barril
Petróleo Brent, -0,52%, a US$ 68,26 o barril

Agenda

Nos EUA, saem os dados do índice PCE de julho e a confiança do consumidor de agosto.

Por aqui, no Brasil, autoridades do México devem iniciar em setembro auditorias em 14 frigoríficos brasileiros para liberá-los a exportar ao país, segundo Luis Rua, secretário de comércio do Ministério da Agricultura. O México ultrapassou os Estados Unidos em agosto como segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, que é o maior exportador mundial do produto. As auditorias se somam às 35 plantas já autorizadas e envolvem grandes frigoríficos como Marfrig, JBS e BRF.

*Com informações do InfoMoney e Bloomberg

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