Líderes do Brics atacam protecionismo dos EUA e pedem nova ordem global

Lideranças do bloco reforçam cooperação Sul-Sul em reação a tarifaço de Donald Trump
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Dois meses após a cúpula no Rio de Janeiro, os líderes do Brics voltaram a se reunir — desta vez, virtualmente — para reagir ao novo tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A convocação partiu do Brasil, que atualmente ocupa a presidência rotativa do grupo. No centro das discussões, o avanço do protecionismo norte-americano e os riscos à estabilidade do comércio global.

Sem citar diretamente os EUA e Trump, o presidente Lula (PT) classificou as sanções econômicas como “chantagem tarifária” e alertou para o uso político das tarifas como instrumento de pressão sobre decisões internas de países soberanos. Em tom crítico, o presidente chinês, Xi Jinping, apontou o “hegemonismo, unilateralismo e protecionismo” como ameaças crescentes à economia global.

As declarações dos líderes do Brics evitam confrontos nominais com Washington, mas deixam claro o desconforto com a postura agressiva de Trump, que já afirmou que o bloco é “antiamericano” e ameaça impor novas tarifas se os países do bloco avançarem na desdolarização do comércio.

“O Brics deve mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”, afirmou Lula, ressaltando o papel do grupo na promoção de soluções multilaterais frente a práticas econômicas coercitivas. Xi Jinping seguiu na mesma linha e convocou os membros do bloco a resistirem “a todas as formas de protecionismo”.

Segundo o presidente brasileiro, a integração financeira e comercial dentro do Brics representa “uma opção segura” diante das crescentes barreiras unilaterais no cenário internacional.

Brics defende multilateralismo como resposta estratégica

A reunião também foi marcada por um apelo coletivo à reforma da governança global. Para Lula, a ordem internacional criada após a Segunda Guerra Mundial está sendo corroída de forma “acelerada e irresponsável”. Xi defendeu uma revisão das regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), enquanto outros líderes alertaram para os riscos das tensões geoeconômicas sobre o crescimento global.

O chanceler indiano Subrahmanyam Jaishankar, representando o premiê Narendra Modi, reforçou a necessidade de cadeias de suprimento mais resilientes e práticas comerciais transparentes. Já o sul-africano Cyril Ramaphosa destacou o impacto negativo das novas tarifas sobre o emprego e o crescimento econômico em países emergentes.

Potencial econômico e diplomacia ambiental

Além das críticas ao protecionismo, a reunião também abordou temas estratégicos como soberania digital, transição energética e crises internacionais. Lula reafirmou o compromisso do Brasil com soluções pacíficas para os conflitos globais e reforçou a proposta do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que será lançado oficialmente na COP30 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas), em Belém (PA).

O presidente também destacou o papel do Brics na promoção de uma industrialização verde e na defesa do multilateralismo ambiental. “Temos a legitimidade necessária para liderar a refundação do sistema multilateral de comércio em bases modernas e voltadas às nossas necessidades de desenvolvimento”, afirmou.

O Brics, que hoje reúne 11 países após expansão recente, representa quase 50% da população mundial, 40% do PIB global e 26% do comércio internacional.

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.