Serviços sustentáveis: como o Brasil pode liderar esse mercado e o de carbono

Projeção do carbono, meio ambiente e economia verde no Brasil
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Em um mundo pressionado pela crise climática e pela urgência de uma transição ecológica justa, os serviços sustentáveis no Brasil surgem como um campo estratégico para alavancar o desenvolvimento com responsabilidade.

A integração entre economia verde, inovação tecnológica e justiça social abre caminho para que o Brasil se posicione como protagonista global nesse novo paradigma.

E, consequentemente, no centro dessa mudança está o mercado de serviços de carbono, que já se desenha como uma das principais ferramentas para enfrentar a emergência climática e transformar a lógica de produção e consumo.

Aqui vamos entender o impacto da inovação tecnológica, como o mercado de serviços sustentáveis se movimenta ao longo do mundo e o que isso significa para o brasileiro.

O que são serviços sustentáveis?

Serviços sustentáveis no Brasil englobam um conjunto diverso de soluções voltadas à preservação ambiental, à eficiência energética, à responsabilidade social e à redução de impactos ambientais.

Esses serviços vão desde o fornecimento de energia renovável solar e eólica até a gestão de resíduos, a logística reversa, o reflorestamento, o incentivo do ESG nas empresas e a consultoria ambiental para empresas e governos.

Além disso, é crescente a oferta de certificações sustentáveis, que ajudam a garantir transparência e rastreabilidade de boas práticas. É nesse ecossistema que o mercado de carbono se insere como um elo estratégico entre o setor produtivo e os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil e pelo mundo.

Serviços sustentáveis unem inovação, energia limpa e responsabilidade social para reduzir impactos ambientais e impulsionar o futuro verde do Brasil. Imagem: divulgação 
Serviços sustentáveis unem inovação, energia limpa e responsabilidade social para reduzir impactos ambientais e impulsionar o futuro verde do Brasil. Imagem: divulgação

O mercado de carbono como eixo estruturante

O mercado de carbono é um sistema de compensação de emissões de gases de efeito estufa em que empresas que emitem mais do que o permitido podem comprar “créditos de carbono” gerados por projetos que reduzem ou capturam essas emissões.

Esses projetos incluem desde reflorestamento até energia renovável e tecnologias de captura de carbono.

O Brasil, com sua biodiversidade, potencial florestal e matriz energética limpa, tem uma posição privilegiada para liderar esse mercado.

Além disso, à medida que acordos internacionais, como o Acordo de Paris de 2015, se tornam mais rigorosos, cresce a demanda por serviços sustentáveis no Brasil que possam garantir a neutralização de emissões em escala global.

No entanto, parte da direita brasileira insiste em tratar esses compromissos climáticos como ameaças à soberania ou entraves ao crescimento, ignorando que a economia verde é uma das poucas vias viáveis para o desenvolvimento nacional no futuro.

O mercado de carbono permite que empresas compensem as emissões financiando projetos sustentáveis, como reflorestamento e energia renovável. Imagem: reprodução
O mercado de carbono permite que empresas compensem as emissões financiando projetos sustentáveis, como reflorestamento e energia renovável. Imagem: reprodução

Ganhos econômicos e sociais dos serviços ambientais

Investir em serviços sustentáveis no Brasil não é apenas uma obrigação ambiental, é também uma oportunidade econômica.

De acordo com um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a economia verde pode movimentar trilhões de reais e gerar milhões de empregos qualificados nos próximos anos.

Um sinal dessa transformação é que seis em cada dez indústrias brasileiras já adotam práticas de economia circular, segundo sondagem especial da CNI realizada com 1.708 empresas dos setores extrativo, de transformação e da construção civil, entre 3 e 13 de fevereiro de 2025.

Entre os principais benefícios apontados estão a redução de custos, o fortalecimento da imagem corporativa e o estímulo à inovação.

A gestão de resíduos e a logística reversa, por exemplo, já impulsionam cadeias produtivas inteiras, como a reciclagem de plástico, vidro, eletrônicos e metais.

Empresas que investem nesses segmentos não apenas reduzem seus passivos ambientais, mas também criam valor e competitividade, inclusive no mercado internacional.

A economia verde já gera empregos e renda ao transformar resíduos, reduzir custos e abrir novos mercados para empresas brasileiras. Imagem: reprodução
A economia verde já gera empregos e renda ao transformar resíduos, reduzir custos e abrir novos mercados para empresas brasileiras. Imagem: reprodução

Exemplos práticos de serviços sustentáveis no Brasil

Entre os serviços sustentáveis no Brasil com maior potencial de impacto, estão os ligados à mobilidade elétrica, à construção civil de baixo carbono e à agricultura regenerativa.

Iniciativas como estações de recarga de veículos elétricos, cooperativas de consumo de energia solar e fintechs voltadas ao financiamento de tecnologias limpas mostram que a transição já está em curso.

Para os indivíduos, cresce o acesso a serviços que permitem escolhas de menor impacto ambiental: desde aplicativos que mapeiam coleta seletiva até serviços de assinatura de produtos reutilizáveis.

Organizações não-governamentais e startups têm um papel central nesse movimento, conectando demandas sociais a soluções sustentáveis.

A expansão desses serviços também integra a lógica da chamada economia verde — um modelo de desenvolvimento que busca conciliar crescimento econômico com conservação ambiental e inclusão social.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a transição para uma economia verde pode gerar até 15 milhões de novos empregos na América Latina até 2030, sendo o Brasil um dos países com maior potencial de liderança.

Nesse contexto, os serviços sustentáveis no Brasil não apenas ajudam a mitigar a crise climática, como também oferecem caminhos concretos para um desenvolvimento mais justo e resiliente.

Da mobilidade elétrica à agricultura regenerativa, o Brasil já vive a transição ecológica com soluções concretas e acessíveis. Foto: divulgação 
Da mobilidade elétrica à agricultura regenerativa, o Brasil já vive a transição ecológica com soluções concretas e acessíveis. Foto: divulgação

O papel do Estado e da regulação dos serviços ambientais

Para que o mercado de serviços sustentáveis no Brasil se desenvolva plenamente, é fundamental a atuação do Estado como indutor de mudanças. A criação de um mercado regulado de carbono, já em discussão no Congresso Nacional, pode destravar investimentos bilionários e consolidar o país como referência em serviços ambientais.

Políticas públicas de incentivo à energia renovável, à capacitação profissional na economia verde e à pesquisa em tecnologias limpas são instrumentos-chave. Também é urgente integrar o combate às desigualdades à estratégia de transição ecológica, garantindo que os benefícios dos serviços sustentáveis no Brasil cheguem às periferias, aos territórios tradicionais e às populações em vulnerabilidade.

Casos de sucesso de serviços ambientais no Brasil

O estado de Tocantins planeja gerar até 50 milhões de créditos de carbono até 2030 por meio de projetos de conservação florestal, com expectativa de arrecadar cerca de R$ 2,5 bilhões.

O lote inicial, previsto para o período entre 2020 e 2024, poderá render até R$ 850 milhões.

Outro destaque é a startup Mombak, que desenvolve projetos de remoção de carbono na Amazônia. Em 2024, o Google comprou 50 mil toneladas de créditos da empresa. Segundo a Reuters, a Mombak tem vendido créditos por mais de US$50a tonelada, sinalizando forte valorização no mercado voluntário.

No campo da agricultura, cooperativas também se destacam.

A cooperativa Cogran adotou práticas sustentáveis que possibilitam acesso ao mercado de carbono e pagamentos por serviços ambientais.

A Embrapa também apresentou casos práticos de mensuração de pegada de carbono e boas práticas agropecuárias. São iniciativas como essas que contribuem para a estruturação de serviços sustentáveis no Brasil e ampliam a oferta de soluções alinhadas ao mercado de carbono.

Um último exemplo é a própria Natura — empresa que faz parte de um coletivo de organizações que atuam para estruturar o mercado voluntário de carbono no país.

Esse grupo inclui gigantes como Amaggi e Raízen (ambas presentes na lista Forbes Agro100 2022), além de Bayer, Rabobank, Auren, B3, BNDES, entre outras.

De acordo com estimativa da consultoria norte-americana McKinsey, publicada em setembro de 2025, “das 80 principais empresas que atuam no Brasil, 77% já publicaram alguma meta de redução de emissões”, um retrato prático do avanço do setor privado rumo à descarbonização.

Iniciativas como as da Natura, Mombak, Embrapa e cooperativas mostram como o Brasil já inova e lucra com soluções sustentáveis e carbono neutro. Imagem: reprodução
Iniciativas como as da Natura, Mombak, Embrapa e cooperativas mostram como o Brasil já inova e lucra com soluções sustentáveis e carbono neutro. Imagem: reprodução

O cenário internacional do carbono

De acordo com o IMARC Group, o mercado brasileiro de créditos de carbono foi avaliado em US$ 2,11 bilhões em 2024 e pode chegar a US$ 24,84 bilhões até 2033, com crescimento médio de 28,4% ao ano.

Essa expansão está atrelada à regulamentação do setor e ao fortalecimento de políticas ambientais.

A Lei nº 15.042/2024 criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), o mercado regulado de carbono. Segundo a IETA Brasil, esse sistema é fundamental para atrair investimentos de longo prazo e integrar o Brasil ao mercado internacional.

Outro avanço previsto e que tem sido motivo de expectativa para diversos pesquisadores é o lançamento de um Registro Nacional de Carbono até 2026.

Afinal, essa infraestrutura vai permitir rastreamento, certificação e negociação confiáveis de créditos brasileiros e também facilitar a inserção dos créditos no mercado internacional.

É dessa forma, na verdade, que o Brasil vai sair de mais um país na prateleira do carbono para um lugar de liderança frente às outras potências internacionais. Segundo dados de estudos da McKinsey, o Brasil concentra 15% do potencial global de captura de carbono via soluções baseadas na natureza.

E o que isso significa?

Esse dado, em específico, coloca o país numa posição-chave na luta contra a crise climática.

Ter 15% do potencial global de captura de carbono por meios naturais significa que o Brasil pode remover grandes quantidades de CO₂ da atmosfera apenas preservando e restaurando seus ecossistemas — como a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica.

Isso é crucial para alcançar as metas do Acordo de Paris e também aumentar a geração de empregos verdes, por exemplo.

O Brasil está diante de uma encruzilhada histórica: seguir alimentando uma economia baseada na destruição ambiental e na exclusão social — ou liderar uma nova fase de desenvolvimento sustentável, justa e inovadora.

Os dados, os exemplos práticos e as oportunidades mapeadas mostram que o país tem tudo para se tornar referência mundial em serviços sustentáveis e no mercado de carbono.

Mas essa liderança não será solitária.

Ela depende de decisão política, investimento público e privado, regulação transparente e, acima de tudo, de uma sociedade civil informada, mobilizada e protagonista.

Para que, além do cenário macro, tenhamos uma sustentação dos serviços sustentáveis para além de estratégias ambientais, se tornando verdadeiros vetores de crescimento econômico e inclusão social.

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