O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Banco Central mostra que a mediana das projeções dos mais de cem analistas consultados revisou para baixo as projeções de inflação e da taxa Selic para 2026.
De acordo com o Boletim Focus, as projeções para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficaram da seguinte forma:
- 2025: 4,83% (estável)
- 2026: ↓ de 4,30% para 4,29%
- 2027: ↓ de 3,91% para 3,90%
- 2028: 3,70% (estável)
A sinalização reforça a leitura de que o aperto monetário pode ter atingido seu limite, mesmo com a taxa Selic mantida em 15% ao ano na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC.
Em agosto, a inflação oficial ficou em -0,11%, ficando 0,37 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de 0,26% de julho, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Foi o primeiro resultado negativo da inflação desde agosto de 2024 (-0,02%) e o mais intenso desde setembro de 2022 (-0,29%). No ano, o IPCA acumula alta de 3,15% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 5,13%, abaixo dos 5,23% dos 12 meses imediatamente anteriores.
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3% (centro), podendo oscilar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).
Quando ultrapassa esse limite por seis meses consecutivos, como aconteceu até junho deste ano, o Banco Central é obrigado a justificar publicamente os motivos do descumprimento.
Cenário de juros altos continua, mas tendência é de alívio gradual
Apesar da estabilidade da taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, analistas de mercado começam a precificar cortes mais à frente, especialmente a partir de 2026. Segundo especialistas, o recuo das expectativas inflacionárias para esse horizonte abre espaço para um ciclo mais suave de juros, embora ainda longe dos níveis anteriores à pandemia.
A manutenção de previsões conservadoras para o câmbio e a estabilidade nas projeções de crescimento reforçam a cautela do mercado em meio às incertezas fiscais e políticas.
O cenário para os próximos trimestres, portanto, é de desaceleração controlada da inflação e possível redução dos juros — ainda que de forma lenta e gradual.
Veja outras projeções do Boletim Focus
PIB (crescimento econômico)
• 2026: 1,80% (estável)
• 2027: 1,90% (estável)
• 2028: 2,00% (estável há 80 semanas)
Taxa Selic
• 2025: 15,00% (13ª semana seguida)
• 2026: ↓ de 12,38% para 12,25%
• 2027: 10,50% (estável)
• 2028: 10,00% (estável por 39 semanas)
Câmbio (R$/US$)
• 2025: 5,50 (estável)
• 2026: 5,60 (estável)
• 2027: 5,60 (estável)
• 2028: 5,54 (estável)
Balança Comercial (Superávit)
• 2025: US$ 64,81 bilhões (estável)
• 2026: US$ 68,38 bilhões (estável)
• 2027: ↓ US$ 75,51 bilhões para US$ 75,50 bilhões
• 2028: US$ 73,94 bilhões (estável)
Investimento estrangeiro direto
• 2025: US$ 70,00 bilhões (estável)
• 2026: US$ 70,00 bilhões (estável)
• 2027: ↓ US$ 71,60 bilhões para US$ 71,40 bilhões
• 2028: US$ 75,00 bilhões (estável)