O Brasil voltou ao radar dos investidores globais em meio a um cenário de realocação de carteiras financeiras internacionais, e os títulos públicos têm atraído estrangeiros. A avaliação foi feita pelo secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, durante evento realizado na quarta-feira (25) na sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), no Rio de Janeiro.
Segundo Ceron, a forte procura por uma recente emissão externa de títulos públicos em dólar — com prazos de cinco e trinta anos — comprova o momento favorável. O destaque ficou por conta do título de vencimento mais curto, que teve demanda robusta para os US$ 750 milhões ofertados e alcançou o menor spread em relação aos títulos do Tesouro norte-americano.
“A emissão validou a tese de que há uma rotação nas carteiras globais e o Brasil é uma das bolas da vez”, afirmou o secretário.
Para Ceron, além de captar recursos, essas emissões têm papel estratégico ao balizar o mercado de dívida corporativa brasileira no exterior, cujo volume vem crescendo.
Títulos públicos verdes devem ganhar novo impulso
O bom desempenho da emissão recente pode abrir espaço para novas ofertas de papéis no mercado internacional. Ceron confirmou que há intenção de expandir o portfólio, inclusive por meio de novos green bonds — os chamados títulos verdes —, voltados a financiar projetos sustentáveis, como transição energética e combate ao desmatamento.

Desde 2023, o Brasil já lançou dois títulos desse tipo, totalizando US$ 4 bilhões, com os recursos destinados ao Fundo Clima — operado pelo BNDES —, que passou a ser um instrumento central para financiar projetos com taxas de juros reduzidas em áreas como energia renovável e sustentabilidade ambiental.
Com dois aportes já realizados no Fundo Clima, somando R$ 20 bilhões, o governo prevê alocar mais R$ 25 bilhões no Orçamento de 2026.
A estratégia permite que o banco de fomento amplie o crédito subsidiado de forma moderada, sem alterar estruturalmente a TLP (Taxa de Longo Prazo).
Selic elevada eleva custo da dívida
Apesar da atratividade externa, o cenário interno segue pressionado pelos juros elevados. Ceron voltou a alertar sobre o impacto da taxa Selic — atualmente em 15% ao ano — sobre as contas públicas. Como grande parte da dívida interna está indexada à taxa básica, o custo fiscal do aperto monetário é significativo. “A Selic machuca os gastos públicos. É um impacto brutal”, reforçou.
O secretário também demonstrou confiança na aprovação das medidas fiscais encaminhadas pelo Ministério da Fazenda ao Congresso. Segundo ele, há senso de responsabilidade entre os parlamentares e apoio, inclusive, a medidas como o corte linear de 10% nos benefícios tributários.
Sobre a proposta de isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês — mesmo sem uma compensação imediata com aumento de impostos sobre os mais ricos —, Ceron se mostrou otimista quanto à aprovação.