Desde a entrada em vigor do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem intensificado os esforços para levar alimento à população de Gaza. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (17), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) conseguiu enviar, em média, 560 toneladas de alimentos por dia ao enclave palestino. Apesar do avanço, o volume ainda está muito abaixo do necessário para conter a grave crise humanitária provocada pela guerra.
De acordo com o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, seria preciso que milhares de veículos de ajuda cruzassem semanalmente as fronteiras de Gaza para aliviar a fome generalizada. “Ainda estamos abaixo do que precisamos, mas estamos chegando lá… O cessar-fogo abriu uma estreita janela de oportunidade, e o PMA está agindo com muita rapidez e agilidade para aumentar a assistência alimentar”, afirmou a porta-voz do programa, Abeer Etefa, em entrevista concedida em Genebra.

Acesso bloqueado e estradas destruídas dificultam entregas de alimentos
O PMA informou que ainda não conseguiu retomar a distribuição de alimentos na Cidade de Gaza, onde a situação é mais crítica. As passagens de Zikim e Erez, no norte do enclave, seguem fechadas, impedindo o envio de comboios de ajuda humanitária para a região.
“O acesso à Cidade de Gaza e ao norte da Faixa de Gaza é extremamente desafiador”, disse Etefa. Segundo ela, os caminhões que transportam farinha de trigo e pacotes de alimentos prontos para consumo enfrentam estradas destruídas e bloqueios no sul do território, o que torna a logística ainda mais complicada.
Embora pequenas quantidades de suplementos nutricionais tenham chegado ao norte, as entregas em larga escala permanecem inviáveis. Na quarta-feira (16), o PMA conseguiu fazer entrar 57 caminhões com suprimentos no sul e no centro de Gaza — um avanço, mas ainda distante da meta de 80 a 100 caminhões diários.
“Recebemos 57 caminhões ontem (16) – no sul e no centro de Gaza. Consideramos isso um avanço, mas ainda não estamos no nível de cerca de 80 a 100 caminhões por dia”, concluiu Etefa.