Os mercados globais operam sem direção única nesta quarta-feira (22), com o mercado reagindo a balanços corporativos contrastantes. As ações da Netflix caem mais de 6% no pré-mercado após frustração com os resultados trimestrais, enquanto dados positivos de GM e Coca-Cola impulsionaram o Dow Jones a um novo recorde intradiário, superando 47 mil pontos.
No Brasil, a atenção se divide entre os desdobramentos políticos e os números das empresas. Após a derrubada da medida provisória que taxava fintechs e apostas, o governo corre para recompor R$ 35 bilhões no Orçamento de 2026. A movimentação em Brasília é monitorada de perto pelos investidores.
No setor corporativo, a Vale divulgou a maior produção de minério de ferro desde 2018, com 94,4 milhões de toneladas no terceiro trimestre, e alta nas vendas e nos preços. A WEG, Tesla, Moody’s, Barclays, IBM e outras gigantes também divulgam resultados hoje, mantendo o mercado em compasso de espera.
No front internacional, os EUA enfrentam risco de uma paralisação prolongada do governo, iniciada em 1º de outubro.
Brasil
Em um dia de fraca volatilidade e apatia generalizada, o Ibovespa encerrou a terça-feira (21) em queda de 0,29%, aos 144.085 pontos, com leve baixa de 424 pontos. O dólar comercial, por sua vez, subiu 0,36%, cotado a R$ 5,390, encerrando uma sequência de quatro quedas consecutivas. Os juros futuros (DIs) mantiveram a tendência de baixa em toda a curva.
O mercado operou em ritmo lento, influenciado por uma agenda esvaziada e por notícias de pouco impacto no cenário internacional. Nos EUA, os balanços do terceiro trimestre de empresas como Coca-Cola e General Motors foram recebidos sem entusiasmo, apesar dos resultados positivos.
A política externa também trouxe ruídos, com o presidente Donald Trump recuando de encontros com Vladimir Putin e Xi Jinping, em meio a tensões persistentes na Ucrânia e no Oriente. Na Europa, as bolsas subiram levemente, acompanhando o clima de inércia.
Europa
Os mercados europeus operam de forma mista, refletindo balanços corporativos divergentes. O Stoxx 600 pouco variou, com recuperação parcial dos recursos básicos e queda em consumo após resultados fracos de L’Oréal, Hermès e Adidas. Ações de defesa subiram com novos ataques russos à Ucrânia.
STOXX 600: -0,07%
DAX (Alemanha): -0,03%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,68%
CAC 40 (França): -0,45%
FTSE MIB (Itália): -0,76%
Estados Unidos
Os índices futuros operam mistos, enquanto os agentes monitoram a paralisação do governo dos EUA, que ameaça se tornar a segunda mais longa da história, atrasando dados-chave como a inflação de setembro. Paralelamente, persistem tensões comerciais, com Donald Trump sugerindo uma possível reunião com Xi Jinping, embora sem garantias de que o encontro realmente ocorra.
Dow Jones Futuro: -0,06%
S&P 500 Futuro: +0,01%
Nasdaq Futuro: -0,11%
Ásia
Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam mistos, com investidores analisando dados comerciais do Japão e a posse da nova liderança. As exportações japonesas cresceram 4,2% em setembro, encerrando uma sequência de quatro meses de queda. Sanae Takaichi assumiu como primeira-ministra, junto a seu novo gabinete.
Shanghai SE (China), -0,07%
Nikkei (Japão): -0,02%
Hang Seng Index (Hong Kong): -0,87%
Nifty 50 (Índia): +0,10%
ASX 200 (Austrália): -0,71%
Petróleo
Os preços do petróleo sobem, ampliando os ganhos da véspera, impulsionados pelos riscos de fornecimento relacionados às sanções, pelas esperanças de um acordo comercial entre EUA e China e pelas notícias de que os EUA estão buscando petróleo para entrega às suas reservas estratégicas.
Petróleo WTI, +1,57%, a US$ 58,14 o barril
Petróleo Brent, +1,48%, a US$ 62,23 o barril
Agenda
Com a agenda internacional fraca devido à paralisação do governo estadunidense, a agenda de balanços corporativos é o principal destaque.
Por aqui, no Brasil, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump, vão se encontrar neste domingo (26), horário de Brasília, na abertura da cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), na Malásia, com horário exato ainda pendente. A reunião faz parte de uma série de encontros bilaterais de Lula, incluindo o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Autoridades em Brasília avaliam que o encontro pode iniciar uma mudança nas relações bilaterais, com foco em negociações comerciais e diálogo político.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg