Justiça do Rio abre inquérito policial para investigar criação de partido do MBL

Promotoria Eleitoral apontou irregularidades em listas de apoio apresentadas pelo Movimento Brasil Livre para criação do partido Missão
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Por Cleber Lourenço

A Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro determinou a abertura de um inquérito policial para apurar possíveis irregularidades na coleta de assinaturas destinadas à criação do partido Missão, legenda articulada pelo Movimento Brasil Livre (MBL). O caso tramita na 174ª Zona Eleitoral de Três Rios e teve origem em uma impugnação apresentada pela Promotoria Eleitoral do Estado do Rio de Janeiro, que identificou inconsistências nos documentos entregues ao cartório.

De acordo com o despacho assinado pela juíza Ana Carolina Gantois Cardoso, parte do material anexado ao processo administrativo possuía “natureza distinta dos procedimentos” eleitorais, o que justificou seu envio à esfera criminal. A magistrada determinou o desentranhamento das petições e anexos e o envio desses documentos para abertura de um inquérito policial que deverá apurar eventuais fraudes na coleta das assinaturas ou falsificação de dados de eleitores.

O pedido de impugnação foi formalizado contra o Partido Missão e seus representantes, entre eles Filipe Alves Cabral da Silva e Renan Antônio Ferreira dos Santos — este último, um dos fundadores e principais líderes do MBL. A decisão também cita os advogados Arthur Luís Mendonça Rollo, Rafael Lage Freire, Miguel Sandalo Calamari, Giovana Ferreira Cervo e Lilian Magnani Sales, que atuam como representantes legais da legenda em formação. Todos eles foram notificados do encaminhamento judicial e poderão acompanhar o inquérito durante as diligências.

Justiça do Rio abre inquérito policial para investigar abertura de partido do MBL
(Foto: Reprodução)

Partido Missão investigado por Justiça do Rio

O MBL anunciou, ainda em 2024, que havia atingido o número mínimo de assinaturas exigidas pela legislação para fundar um partido político. Segundo o movimento, as listas de apoio foram coletadas em diferentes estados e já haviam sido inseridas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desde então, no entanto, o grupo enfrenta uma série de contestações e impugnações em zonas eleitorais de vários estados, que questionam a autenticidade de parte das assinaturas apresentadas e o cumprimento de requisitos formais previstos em lei.

O procedimento de conferência das listas segue em andamento no TSE, responsável por analisar o total de apoios válidos e decidir sobre o registro da nova sigla. De acordo com a Lei nº 9.096/1995, a criação de um partido político exige o apoio de, no mínimo, 492 mil eleitores distribuídos em pelo menos nove unidades da federação.

Desde 2022, o tribunal permite a utilização de assinaturas eletrônicas para acelerar a coleta, medida que modernizou o processo, mas também ampliou as contestações e dúvidas sobre a veracidade das informações enviadas.

Em casos semelhantes, promotores eleitorais costumam pedir a verificação amostral de listas ou a abertura de investigações quando há indícios de duplicidade de assinaturas, uso indevido de dados pessoais ou falsificação de fichas físicas.

Especialistas em direito eleitoral afirmam que o procedimento adotado pela 174ª Zona Eleitoral segue o padrão previsto para situações em que o material apresentado levanta suspeitas de crime eleitoral ou de falsidade documental.

Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o encaminhamento do caso à polícia não representa, neste momento, uma acusação formal contra os responsáveis pela coleta das assinaturas, mas demonstra que o Ministério Público identificou elementos suficientes para justificar a apuração criminal. Caso as investigações confirmem irregularidades, o inquérito poderá resultar em denúncia por falsidade ideológica eleitoral ou uso indevido de dados de eleitores.

Enquanto o inquérito é instaurado no Rio, o MBL tenta avançar com o processo de registro do partido no TSE e tem reforçado a que já cumpriu todos os requisitos legais para o reconhecimento da legenda. Integrantes do movimento afirmam que a contestação faz parte de uma tentativa de adversários políticos de atrasar a formalização do partido, que planeja disputar as eleições municipais de 2026 com candidatos próprios em grandes capitais.

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