Mais de 300 escritores boicotam New York Times por cobertura sobre genocídio em Gaza

Autores e figuras públicas acusam o jornal de parcialidade pró-Israel e anunciam boicote à seção de Opinião até que medidas sejam tomadas
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Mais de 300 escritores, acadêmicos e personalidades públicas anunciaram um boicote à seção de Opinião do New York Times em protesto contra o que classificam como “apologia ao genocídio” e “branqueamento dos crimes israelenses” cometidos em Gaza.

Entre os signatários estão nomes de destaque como a deputada norte-americana Rashida Tlaib, as autoras Sally Rooney e Rupi Kaur, a ativista Greta Thunberg, a atriz Hannah Einbinder, além de artistas e intelectuais como Nan Goldin, Mona Chalabi, Mosab Abu Toha e Gabor Maté. Todos esses já escreveram para o Times, foram tema de reportagens do jornal ou receberam convites para contribuir.

O movimento, organizado por um grupo de entidades pró-Palestina, como o Writers Against the War on Gaza (WAWOG), Democratic Socialists of America (DSA) e Palestinian Youth Movement (PYM), exige que o jornal norte-americano reveja suas práticas editoriais relacionadas à cobertura da Palestina.

A ativista Greta Thunberg está entre uma das pessoas que boicotaram o NYT (Foto: Reprodução)

Os participantes afirmam que só voltarão a colaborar com o Times quando o veículo:

  • Investigar o viés anti-palestino em sua redação e adotar novos padrões de cobertura;
  • Retirar a reportagem “Screams Without Words”, considerada amplamente desmentida;
  • E publicar um editorial pedindo o embargo de armas dos Estados Unidos a Israel.

De acordo com os organizadores, a decisão é uma resposta à crescente insatisfação com o papel do New York Times na forma como o conflito é retratado. “O jornal não é apenas cúmplice, mas um facilitador ativo do genocídio do povo palestino”, diz um trecho da carta assinada pelos participantes.

A mobilização ocorre três meses após o grupo Writers Against the War on Gaza (WAWOG) divulgar um dossiê apontando supostos vínculos ideológicos e profissionais entre o Times e instituições israelenses. O relatório afirma que jornalistas e executivos envolvidos na cobertura do Oriente Médio teriam servido no Exército israelense ou mantêm laços próximos com grupos de lobby sionistas.

Os signatários acusam o jornal de reproduzir informações falsas de autoridades israelenses e de censurar termos como “limpeza étnica” e “território ocupado”. Eles também afirmam que a redação trataria as declarações de Israel como fatos, enquanto rebaixaria as denúncias de genocídio à condição de opinião. “Assim como um fabricante de armas, o New York Times faz parte da engrenagem da guerra, ajudando a criar a impunidade que sustenta o massacre”, afirma a carta.

Mesmo com o anúncio de um cessar-fogo, Israel segue realizando bombardeios na Faixa de Gaza. Para os organizadores do boicote, a posição do New York Times e de outros grandes meios de comunicação contribui para normalizar a violência contra os palestinos.

“Antes, seria um sonho escrever para o Times, mas hoje me recuso a contribuir com uma instituição que se comporta como uma nova ‘Rádio Ruanda’”, declarou Sophie Lewis, ex-colaboradora.

O poeta palestino Mohammed El-Kurd, também signatário, afirmou que a seção de Opinião serve para “dar aparência de neutralidade ao racismo anti-árabe do jornal”. Segundo ele, enquanto a seção de notícias trata as versões do governo israelense como verdades, o genocídio em Gaza é reduzido a um debate abstrato.

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