Polícia identifica 99 mortos em operação no Rio e diz que 78 tinham ficha criminal

Divulgação da polícia não traz informações sobre os demais 21 mortos já identificados, cujos antecedentes não foram detalhados ou não foram considerados relevantes
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O governo do Rio de Janeiro confirmou a identificação de 99 dos 117 mortos na Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira (28), nos Complexos do Alemão e da Penha, contra o Comando Vermelho. No total, foram 121 mortos, considerando quatro policiais.

A operação das polícias fluminenses já é considerada a maior chacina do país, à frente do Massacre do Carandiru, que deixou 111 mortos em outubro de 1992.

Segundo o delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil, desses 99 identificados, 42 tinham mandado de prisão pendente e ao menos 78 tinham histórico criminal relevante, como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.

A divulgação da polícia, no entanto, não traz informações sobre os demais 21 mortos já identificados, cujos antecedentes não foram detalhados ou não foram considerados relevantes pela corporação.

A polícia divulgou ainda que 40 dos identificados são de outros estados: 13 do Pará, sete do Amazonas, seis da Bahia, quatro do Ceará, um da Paraíba, quatro de Goiás, um do Mato Grosso e três do Espírito Santo.

59 mortos são identificados pela polícia do Rio; todos com ficha criminal, segundo governador. (Foto: Raull Santiago/Arquivo pessoal)
59 mortos são identificados pela polícia do Rio; todos com ficha criminal, segundo governador. (Foto: Raull Santiago/Arquivo pessoal)

Corpos liberados para familiares

Entre os 99 corpos já identificados, ao menos 89 foram liberados pelo Instituto Médico Legal para a retirada dos familiares. O trabalho de identificação de todos os mortos deve ser concluído apenas no fim de semana.

A Polícia Civil informou que está finalizando um documento de inteligência que reúne a qualificação dos mortos e uma análise sobre o papel estratégico dos complexos da Penha e do Alemão dentro da estrutura da organização criminosa Comando Vermelho.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Subprocuradoria-Geral de Direitos Humanos e Proteção à Vítima (SUBDH), também trabalha para realizar uma perícia independente e acolher familiares dos mortos durante a liberação dos corpos das vítimas da Operação Contenção.

A perícia contou com uma equipe de oito profissionais, sob acompanhamento integral de um promotor de Justiça integrante do Ministério Público.

O governo federal também enviou 20 peritos criminais da Polícia Federal para reforçar os trabalhos de segurança pública no Rio de Janeiro, segundo informou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

A operação

A operação contra o Comando Vermelho pretendia cumprir, segundo a polícia, 100 mandados de prisão. Ao menos 20 teriam sido encontrados e presos, outros 15 foram mortos durante a ação.

O objetivo da operação era, de acordo com o governo do Rio de Janeiro, conter o avanço do Comando Vermelho, cumprindo 180 mandados de busca e apreensão e os 100 de prisão.

Principal alvo, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, continua foragido. Ele é considerado o principal chefe do Comando Vermelho que não está preso.

Entidades de direitos humanos e organizações da sociedade civil denunciam que a operação como “massacre” e “chacina” e criticam a alta letalidade da ação.

Familiares e moradores do Complexo da Penha retiraram dezenas de corpos de uma área de mata na região na madrugada seguinte à ação e relatam que também havia sinais de tortura e mutilações nos cadáveres.

*Com informações da Folhapress e Agência Brasil

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