Banco Central regulamenta prestação de serviços financeiros para aumentar segurança

Empresas não financeiras poderão oferecer serviços bancários por meio de plataformas digitais
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Banco Central (BC) e o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicaram, nesta sexta-feira (28), as regras que passam a orientar a oferta de serviços no modelo Banking as a Service (BaaS). A modalidade permite que empresas não financeiras ofereçam serviços bancários por meio de plataformas digitais, aplicativos ou canais próprios.

A regulamentação já está em vigor, mas os contratos existentes poderão ser ajustados até o fim de 2026.

Segundo o BC, a nova norma tem como foco ampliar a segurança jurídica, reduzir riscos para consumidores e empresas e garantir que a expansão do modelo não comprometa o equilíbrio do mercado financeiro.

Em nota, a instituição afirmou que o novo marco regulatório busca:

  • Proteger clientes e instituições envolvidas;
  • Fortalecer o sistema financeiro e o arranjo de pagamentos;
  • Estimular eficiência e competição;
  • Garantir transparência na oferta de serviços.

O diretor de Regulação do BC, Gilneu Vivan, explicou que muitos prestadores de BaaS ainda tinham dúvidas sobre até onde iam suas responsabilidades. Agora, a regra deixa claro que a responsabilidade final sempre recai sobre a instituição financeira autorizada pelo Banco Central, mesmo quando o serviço é oferecido por empresas parceiras.

A regulamentação também estabelece diretrizes sobre:

  • Governança corporativa
  • Gestão de riscos
  • Segurança e controles internos
  • Conduta e atendimento ao consumidor
  • Responsabilidades na operação
  • Conservação e envio de dados ao BC para fins de supervisão

Além disso, as empresas terão de garantir que sua identificação como prestadoras de serviços financeiros seja clara e visível nos canais digitais, contratos e instrumentos de pagamento.

Banco Central reforça segurança em meio a incidentes recentes

A criação dessas regras ocorre em um momento em que o BC intensifica o monitoramento do sistema financeiro. Na semana em que a norma foi aprovada, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, destacou que episódios recentes — como o caso envolvendo o Banco Master — mostraram a necessidade de ampliar a capacidade de supervisão e modernizar a estrutura tecnológica do órgão.

Outro tema sensível é a escalada de ataques cibernéticos. O BC avaliou que a dependência crescente de serviços terceirizados e o uso massivo de APIs, muitas vezes sem revisões frequentes de risco, vêm tornando o ambiente mais vulnerável.

Para mitigar esses problemas, o regulador tem reforçado políticas como:

  • Limites mais rígidos para transferências via PIX
  • Regras mais duras para autorizações de novas instituições
  • Rejeição automática de transações destinadas a contas com suspeita de fraude
  • Extinção do uso irregular das chamadas contas bolsão

Casos recentes de ataques cibernéticos

Nos últimos meses, foram registrados episódios que acenderam alerta na autoridade monetária:

  • Julho: a empresa C&M Software comunicou violação em sua infraestrutura.
  • Agosto: operação policial desarticulou esquema bilionário ligado ao PCC, envolvendo fundos e fintechs para lavagem de dinheiro.
  • Setembro: a fintech Monbank sofreu ataque hacker com desvio de R$ 4,9 milhões — 4,7 milhões já foram recuperados.
  • Setembro: a Sinqia, que conecta bancos ao PIX, reportou transações indevidas que somaram cerca de R$ 710 milhões.

Regras para nome e apresentação das instituições

O BC e o CMN também aprovaram normas para padronizar o uso de nomes e marcas no setor financeiro. As regras abrangem:

  • Razão social
  • Nome fantasia
  • Marca comercial
  • Domínios de internet

Instituições não poderão utilizar termos que induzam o cliente a crer que operam em modalidades para as quais não possuem autorização.

Além disso, será obrigatório deixar claro, em qualquer comunicação com o público, qual tipo de instituição está prestando o serviço — medida que vale também para integrantes de conglomerados financeiros.

As empresas que descumprirem as novas normas terão 120 dias para apresentar um plano de adequação e até um ano para se ajustar totalmente.

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.