A medicina falsa em escala industrial

Fabricar credibilidade era um processo caro; hoje, uma equipe pequena cria dezenas de especialistas fictícios em poucas horas
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Você já deve ter aberto o Instagram ou o TikTok e dado de cara com um  médico que recomenda algum tipo de suplemento contra dor nas articulações. Acontece que esse médico pode nem existir.

Uma investigação do New York Times identificou centenas de médicos, curandeiros e influenciadores de bem-estar gerados por inteligência artificial espalhados pelas redes sociais. Muitos se apresentam de jaleco, em consultórios, apresentam diploma falsos e anunciam soluções milagrosa contra inflamação, fadiga, envelhecimento e o que mais puder gerar um impulso de compra em quem assiste.

Para transmitir confiança, alguns desses médicos sintéticos aparentam ter mais de 60 anos e contam que a própria aparência jovial é resultado dos produtos que divulgam. Outra reportagem da 404 Media mapeou a engrenagem por trás desse esquema.

Uma marca chamada Rosabella e sua rede de afiliados copiam roteiros de vídeos populares, trocam alguns detalhes e adaptam para gerar vídeos com IA para vender esse tipo de produto. Um dos criadores participante do esquema disse ter embolsado dezenas de milhares de dólares em comissões de venda.

O volume de personagens artificiais que encontramos nas redes sociais já nem assusta. Nesse caso específico, chama atenção precisão do alvo. Os vídeos focam em mulheres mais velhas, pessoas com dores de verdade em busca alívio e a publicidade segmentada das plataformas entrega a mentira exatamente para quem tem menos chance de desconfiar.

Até aqui, fabricar credibilidade era um processo caro. Era necessário envolver um médico real ou ao menos um ator convincente, um estúdio e alguma produção. Hoje, uma equipe pequena cria dezenas de especialistas fictícios em poucas horas com ferramentas como Veo 3, HeyGen, ElevenLabs e CapCut. Falei mais sobre isso no episódio do podcast Resumido desta semana.

A promessa de democratizar a criação com IA traz junto esse efeito colateral. Instagram, Facebook e TikTok dizem que removem conteúdo médico enganoso, só que o realismo e a quantidade de vídeos publicados dificultam a fiscalização.

As ferramentas de IA faturam com assinaturas de golpistas querendo criar seus especialistas falsos e as plataformas de redes sociais lucram com a circulação do vídeos. A conta fica para a pessoa que estava com dor e acreditou numa miragem digital. todos os aspectos das nossas vidas. Disponível nas principais plataformas de streaming.

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