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O episódio do ataque a um hospital na faixa de Gaza ilustrou mais uma vez a complexidade da atuação da imprensa nas redes sociais. O ataque foi o tema que gerou o pico de menções da semana no X (Twitter), dentro de uma pauta que já domina as redes sociais: o conflito no Oriente Médio.
No mundo, nas primeiras horas após o ataque foram registradas 4.9 milhões de menções sobre o bombardeio ao hospital. O termo “israeli” aparece em 28% das menções, junto aos termos “bombed” (31%), “israel” (44%) e “baptist” (29%). No Brasil, esse processo foi marcado por uma alternância dos termos “Foi o Hamas” e “Foi Israel” nos Trending Topics. Em determinado momento, as duas frases apareceram juntas no TT’Brasil.
Essa forte atenção nas redes sociais do Brasil não é a novidade, visto que mesmo outros temas de destaque até então como o STF sofreram um arrefecimento drástico no volume de menções desde o início do conflito, correlacionado com uma queda nos ataques oriundos do bolsonarismo e um crescimento exponencial do engajamento deste cluster com os ataques contra o governo federal por uma suposta participação no conflito. A diferença, no entanto, mais uma vez está no papel que a imprensa cumpriu nesse episódio.
A pesquisadora Zeynep Tufecki trata em seu livro, “Twitter and Tear Gas”, de como o excesso de informações não-confiáveis nas redes sociais pode servir também como uma forma de censura utilizada por estados. Ao apenas reproduzir discursos e replicar declarações, atores da imprensa que teriam um papel central na elucidação destas informações acabam por poluir ainda mais para um estado caótico com muita informação e poucos gatekeepers confiáveis.
No episódio do bombardeio ao hospital, o ímpeto por interações fez com que diversos portais brasileiros divulgassem informações que, posteriormente, não se mostraram ainda confirmadas. Estes portais de fato geraram engajamento, mas a que custo?
A disposição de setores da imprensa a submeter-se à “likewar” nas redes sociais, seja em momentos eleitorais, seja em momentos de conflito já se mostrou prejudicial no Brasil, nos EUA e em diversos locais do mundo. Cabe a esta mesma imprensa, bem como setores da sociedade civil, cobrar que a atuação destes atores centrais não se resuma buscar engajamento, mas sim cumprir um papel central como gatekeepers da informações em momentos tão delicados.
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