Abin deve atuar no combate ao crime organizado nas eleições

Agência de inteligência já coopera com PF e Justiça Eleitoral para coibir infiltração de facções; servidores dizem que modelo pode ser ampliado
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Por Cleber Lourenço

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) poderá ter papel mais ativo no combate à influência do crime organizado durante as eleições de deste ano. Segundo servidores ouvidos pela reportagem, a cooperação atual entre a agência, a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral — voltada a impedir a infiltração de facções criminosas na política — está sendo tratada internamente como um projeto-piloto que pode se tornar nacional.

“A Abin não atua em campo nem produz prova. O que fazemos é reunir informações e transformá-las em produtos estratégicos que orientam as políticas públicas”, explicou um servidor. O objetivo é mapear riscos, fluxos de financiamento e conexões entre grupos criminosos e estruturas políticas, atuando de forma preventiva. “A polícia olha o alvo e o momento da operação. A Abin olha o todo, os fluxos, as conexões e as tendências.”

Parte significativa das análises é feita de forma proativa, dentro de uma agenda permanente de temas, como criminalidade organizada, extremismo violento e contraespionagem, mas a agência também produz relatórios sob demanda. “Nosso papel é antecipar riscos, não reagir a eles”, resumiu o servidor.

Abin deve atuar no combate ao crime organizado nas eleições
Abin deve atuar no combate ao crime organizado nas eleições

Esse papel analítico também se manifesta em ações conjuntas com outros órgãos de Estado, como a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral. De acordo com informações obtidas pela reportagem, a Abin participa de um esforço coordenado para impedir a infiltração de facções criminosas na política e nas eleições no Piauí. A atuação conjunta com a PF tem caráter preventivo e busca identificar padrões de infiltração e movimentações financeiras suspeitas antes que se transformem em risco real ao processo democrático.

Segundo servidores da Abin consultados pelo ICL Notícias, essa cooperação com outros órgãos de Estado segue o mesmo princípio do trabalho estratégico: antecipar e neutralizar riscos. O projeto vem sendo visto internamente como uma experiência de integração que pode servir de base para futuras ações nacionais. Atualmente, parte considerável dos esforços da agência está voltada à preparação para a COP30, em Belém, onde coordena ações de inteligência com foco na segurança do evento e no combate a ameaças transnacionais e que a ampliação do trabalho de monitoramento das facções nas eleições deve ser avaliado apenas no ano que vem

O acompanhamento das atividades de crime transnacional e organizado está sob o Departamento de Inteligência Interna (DInt), responsável por consolidar e validar os relatórios estratégicos antes do envio aos órgãos competentes.

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