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Vivian Mesquita

Apresentadora, Repórter e Editora Chefe Executiva com passagens pela Editora Abril, Rede Globo e Canais ESPN Disney. Especialista em esportes de ação em mercado mundial. Profissional com formação consolidada na área de mídia e conteúdo esportivo, com mais de 20 anos de experiência em TV. Relacionamento sólido com a comunidade criativa local, produtoras, talentos, atletas, marcas e mídia. Habilidades em gestão de equipes, processos organizacionais e comunicação. Apresentadora do ICL Notícias - 1ª Edição.

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‘Adolescência’. Assista, é urgente!

Crianças e adolescentes têm acesso livre às redes sociais com conteúdos que influenciam a saúde mental de maneira indiscriminada
28/03/2025 | 08h02
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Sim, Jamie matou a menina.

Calma, isso não é spoiler e nem resenha da mais recente minissérie da Netflix, “Adolescência”.

Stephen Graham, um dos criadores, roteirista e pai de Jamie (Owen Cooper) na trama, deixa claro em todas as entrevistas que a produção nunca teve a intenção de ser um mistério policial. O foco é discutir o porquê. Quais foram as circunstâncias que levaram um jovem comum de 13 anos a assassinar uma colega de escola?

A história não é baseada em fatos reais, mas a ideia surgiu de um questionamento de Graham inspirado em casos verdadeiros de meninos que atacaram meninas a facadas até a morte. “Que sociedade é essa onde garotos estão esfaqueando meninas? É preciso uma aldeia para criar uma criança, mas e se todos nós formos os responsáveis? O sistema educacional, os pais, a comunidade e o governo?”, ele pondera.

“Adolescência” é um golpe de realidade e não precisa ser pai ou mãe para senti-lo.

O artigo 227 do Estatuto da Criança e do Adolescente determina que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

É dever da sociedade, mas a gente exerce esse dever? Temos a coragem de, por exemplo, denunciar e proteger as crianças “dos outros”? Denunciamos amigos, familiares ou vizinhos que negligenciam a saúde mental de suas crianças?

Não, em geral, a gente não se envolve, não “se mete a colher”.

Nos últimos anos, os números de casos de depressão, suicídio, ansiedade, diferentes tipos de transtornos e crimes virtuais ou não entre jovens são alarmantes. Nossas crianças e adolescentes têm acesso livre às redes sociais e plataformas com conteúdos que influenciam a saúde mental de maneira indiscriminada. Existem filtros, aplicativos de controle de uso, mas é impossível — pelo menos por hora — blindar totalmente essas mentes.

E nós também ainda não aprendemos a lidar com isso. Nossas crianças são a primeira geração da era digital de acesso total sem legislações eficientes que possam protege-las de criminosos, fake news ou conteúdos violentos e tóxicos.

A minissérie da Netflix não tem a intenção de culpar pais e nem esse artigo, a reflexão aqui é chamar atenção para o tema e dar luz à discussão. “Adolescência” não trata apenas de masculinidade tóxica, solidão, influências virtuais, comunidades perigosas, machismo estrutural e educação. É também sobre o abismo geracional que enfrentamos. Precisamos conversar, e estamos tão longe de diminuir esse abismo que falar sobre a proibição do uso de celular na escola, por exemplo, é uma grande polêmica!

A produção já é considerada por alguns críticos uma das melhores da história e apontada como forte candidata ao Emmy — e eu nem falei da captação em plano sequência que garante uma experiência imersiva absurda. A provocação, aliás, tem fundamento: sentir na própria pele a dor de Jamie, dos pais, da irmã, da terapeuta e dos colegas da escola é urgente. Assistam e comentem aqui, vamos conversar?

 

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