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‘Além do bombardeio, o sofrimento da comida’, desabafa brasileiro em Gaza

Grupo de brasileiros em Gaza sofre com escassez de recursos: farinha e água potável estão no fim. Reabertura de fronteira reacende esperança de que cidadãos saiam do território bombardeado por Israel.
06/11/2023 | 14h18

Por Nicolás Satriano

Passado mais de 1 mês de guerra entre Israel e Hamas, é cada vez mais precária a situação de brasileiros que tentam sair da Faixa de Gaza pela fronteira com o Egito. Itens essenciais, como farinha e água potável, se esgotam ou são cada vez mais difíceis — quando não impossíveis — de se encontrar.

Finalmente hoje os brasileiros em Gaza souberam de uma notícia capaz de reacender a esperança em meio a tudo o que tem ocorrido. Após três dias fechada, foi reaberta a Passagem de Rafah, único acesso ao Egito e por onde está sendo possível, a conta gotas, entrar ajuda humanitária para os palestinos em Gaza.

Em vídeo encaminhado ao ICL Notícias, Hasan Rabee, de 30 anos, mostra que a rotina do grupo de brasileiros tem sido cada vez mais dura. Sem gás, o jeito tem sido usar o fogo para cozinhar. Ainda assim, encontrar “lenha” é uma tarefa quase impossível.

“Gente, estou aqui, na casa, a gente chegou na casa da minha irmã. A minha mãe está fazendo pão nesse forno de lenha. (…) O mais difícil é a gente achar papelão, madeira… E mais difícil ainda é a farinha. Farinha você não encontra. O saco da farinha estava, por exemplo, 40 reais, e hoje está 200, 300 reais. A gente não acha. Muito complicado. Cada dia é pior que o outro”, desabafou Hasan.

Hasan Rabee, de 30 anos, mostra como palestinos têm cozinhado à espera de sair de Gaza. Foto: Arquivo Pessoal

O homem acrescenta que eles também estão sem água — nem encanada, nem mineral.

“A água mineral a gente não encontra de jeito nenhum. A gente tá tomando água encanada, e só teremos pra poucos dias. Energia, hoje 31 dias (de guerra), a gente sem energia. E o mais difícil agora é encontrar alimentação. É quase impossível. Além do sofrimento do bombardeio, outro sofrimento da comida. Muita gente passa fome.”

PREÇOS QUE IGNORAM A CRISE HUMANITÁRIA

A variação local de preços de itens básicos também é relatada por Shahed al-Banna, a jovem de 18 anos que está presa em Gaza. Ela também contou que o estoque de comida está no fim. “Por enquanto estamos só comendo latas de comida e estão acabando. Daqui a alguns dias, já não teremos latas”, contou ao ICL Notícias.

Para ter noção dos valores dentro de Gaza, Shahed contou que o butijão de gás que custava 150 shekels (moeda local), por volta de 188 reais, passou a ser comercializado por 500 shekels — R$ 628.

E a garrafa de água mineral, de 250 ml, que antes custava 1 shekel (R$ 1,26) triplicou de preço, passando a custar 3 shekels (R$ 3,77).

“Um saco de farinha de 25 quilos, a gente comprava por 100 shekels (R$ 125). Mas agora a gente nem encontra”, disse.

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