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Por Rodrigo Borges

Passado o susto de um apagão que afetou 12 milhões de chilenos por mais de oito horas, o governo Boric passa a discutir não só as responsabilidades do caso, como também sua distribuição de energia e até os rumos da corrida presidencial.

A ministra do Interior, Carolina Tohá, já era tida como a candidata apoiada pelo presidente Gabriel Boric, mas que deve ser confirmada só em meados de março. É Tohá que, em geral, se coloca como o rosto à frente do governo em momentos de crise.

A representante do Partido Por La Democracia assumiu o papel de porta-voz em uma reunião de emergência convocada às 16h30 desta terça (25), cerca de uma hora depois do início do apagão que atingiu desde a região de Arica, no extremo norte, até Los Lagos, ao sul do país.

Segundo os relatos do governo, partiu de Tohá a ordem para decretação imediata do toque de recolher, o envio de militares às ruas e até os diversos contatos ao longo do dia com a prefeita de Viña del Mar, Macarena Ripamonti por conta do Festival de Viña.

O Festival de Viña del Mar é um dos maiores eventos musicais da América Latina focado em apresentações de artistas de países hispânicos e que concede prêmios de acordo com a votação do público presente, conhecido como “O Monstro” e que decide alargar ou encerrar as apresentações. Ele acontece tradicionalmente desde 1960, sempre no fim do verão chileno.

A programação da terceira noite do festival foi reagendada para sábado e o evento segue na noite desta quarta, mas até às 20h30 de terça, o governo ainda tentava restabelecer a eletricidade para não cancelar o evento. As portas da Quinta Vergara já estavam abertas ao público e o local contava com geradores. No entanto, a preocupação seria com a segurança pública do entorno do local, ainda sem luz até a hora.

Presidente do Chile Gabriel Boric com o ministro de Energia Diego Pardow e a ministra do Interior Carolina Tohá.

Presidente do Chile Gabriel Boric com o ministro de Energia Diego Pardow e a ministra do Interior Carolina Tohá. Foto: Governo do Chile

Oposição no Chile

É claro que o apagão trincou ainda mais a popularidade do governo Boric e a oposição se apressou em apontar o presidente como o direto responsável pela calamidade pública.

Os candidatos de extrema direita foram os primeiros a tecer críticas exageradas. Johannes Kaiser, do Partido Nacional Libertario, adicionou ainda tons de LGBTfobia ao dizer que o governo “vai restabelecer o serviço com perspectivas de gênero priorizando as minorias do alfabeto”.

José Antonio Kast, do Partido Republicano, teve um tom mais sério, mas ainda assim exagerado. Afirmou que o governo teve reação lenta e que “o presidente passeando de helicóptero não serve para nada”.

Evelyn Matthei, a ex-prefeita de Providencia e eventual candidata pela coligação Chile Vamos foi mais comedida durante o dia do apagão e preferiu concentrar as críticas nesta quarta. Criticou a vulnerabilidade do sistema elétrico e a falta de investimentos do governo.

Investigações sobre o acidente

Restabelecida a energia em todo o país, o governo agora se concentra na investigação das causas do acidente nos próximos 15 dias. O presidente do Coordenador Elétrico Nacional, Juan Carlos Olmedo, instaurou auditorias nas instalações da ISA Interchile, responsável pelas linhas de transmissão afetadas.

A concessionária de origem colombiana apontou apenas que houve “uma desconexão no sistema de transmissão de 500 kV”, sem apresentar, até o momento, detalhamento das causas.

 

 

Rodrigo Borges é jornalista do ICL Notícias em Santiago do Chile.

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