Aliados do presidente reconhecem, nos bastidores, que a expressiva vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), dificulta qualquer tentativa de contestação judicial dos resultados.
Segundo um assessor de Donald Trump ouvido pela CNN, a dimensão da derrota republicana torna improvável que o governo questione a votação em larga escala. “Foi, essencialmente, uma vitória grande demais para ser fraudada”, afirmou, em referência a uma expressão frequentemente utilizada pelo presidente para defender sua vitória eleitoral em 2024.
Antes da votação, Trump e seus aliados haviam preparado o terreno para possíveis questionamentos, mantendo o discurso de que o sistema eleitoral americano seria marcado por fraudes, embora sem apresentar provas.
O Departamento de Justiça chegou a recorrer à Justiça no Alasca para tentar impedir a certificação dos resultados caso o republicano Dan Sullivan perdesse a disputa, alegando uma possível confusão provocada pela presença de outro candidato com o mesmo nome na cédula. Na Califórnia, o governo também tentou invalidar milhares de votos sob suspeita de terem sido registrados por pessoas sem cidadania americana. A Suprema Corte, porém, rejeitou a iniciativa na segunda-feira (2).
A vitória democrata, que superou as expectativas mais otimistas do partido, foi interpretada como uma forte demonstração de rejeição às políticas de Trump. Eleito em 2024 com promessas de melhorar a economia e controlar a inflação, o presidente passou a enfrentar o desgaste provocado pelas guerras comerciais, pelas tarifas e pelo conflito com o Irã, que contribuiu para elevar os custos de energia e pressionar o orçamento das famílias.
Apesar de a economia americana manter crescimento próximo de 3% ao ano, os juros elevados e os preços de produtos essenciais, como alimentos e gasolina, pesaram na avaliação do governo. Trump chegou às eleições com aprovação média de apenas 32%.
Outro fator determinante foi a perda de apoio entre eleitores latinos, que haviam contribuído para sua vitória em 2024. A política migratória e as operações agressivas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) provocaram insatisfação em comunidades diretamente afetadas pelas ações do órgão.
O impacto econômico das tarifas e da guerra também atingiu trabalhadores rurais e setores como a construção civil e a produção de carne. No Texas, o democrata James Talarico conquistou uma vitória histórica para o partido, tornando-se o primeiro senador democrata do estado desde 1988.
A mobilização antecipada também favoreceu os democratas. Mais de 58 milhões de americanos votaram antes do dia oficial da eleição, entre eleitores democratas, republicanos e independentes.
Dados da CNN, Associated Press e Catalist indicaram vantagem de 13 pontos percentuais dos democratas sobre os republicanos nessa modalidade de votação, especialmente em estados decisivos como Iowa, Maine, Ohio e Carolina do Norte.
Em diversos locais, a contagem dos votos antecipados começou antes da apuração dos votos presenciais, contribuindo para que a vantagem democrata aparecesse logo nas primeiras divulgações dos resultados.