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O que significa OMS e qual é a atuação da maior agência de saúde do mundo

A atuação da OMS no Brasil, no mundo e as repercussões negacionistas dos últimos anos
19/02/2025 | 12h57
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) é uma agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU), fundada em 7 de abril de 1948. Seu principal objetivo é coordenar e direcionar questões relacionadas à saúde internacional, promovendo pesquisas, implementando medidas preventivas e oferecendo suporte a dezenas de países.

Durante a pandemia da Covid-19, seu papel ganhou ainda mais destaque, sendo alvo de debates e críticas por parte de governos e organizações políticas – especialmente aqueles de viés conservador e negacionista que atacaram a ciência e dificultaram o combate eficaz à pandemia.

Aqui vamos entender o que é de fato a OMS, sua atuação nos países ao redor do mundo, a questão da saúde pública brasileira e qual é a influência da agência no cotidiano do brasileiro.

O que é a OMS?

A OMS, oficialmente titulada Organização Mundial da Saúde, é uma agência da ONU dedicada à saúde global. Seu papel é estabelecer padrões, fornecer apoio técnico, monitorar ameaças sanitárias e coordenar respostas internacionais a surtos de doenças e catástrofes humanitárias.

Apesar dos objetivos da OMS serem pautados na promoção da saúde de qualidade em nível global, podemos elencar o monitoramento da saúde pública, a pesquisa e o desenvolvimento das áreas da saúde e a formulação de políticas de saúde como os principais pilares de atuação da Organização. Além disso, a OMS também apoia países em emergências sanitárias e promove campanhas globais de prevenção a doenças.

A OMS é um órgão essencial no gerenciamento global da saúde pública e “ficou famosa” na pandemia quando suas diretrizes contra a Covid-19 foram divulgadas e o olho atento do público interessado passou a ter mais interesse na atuação da agência.

É neste momento que se tornou ainda mais relevante compreender como essa organização funciona na prática e de que forma suas ações impactam a saúde global.

Criada em 1948, a OMS conta com 150 escritórios e mais de 7.000 funcionários pelo mundo. Imagem: Shutterstock/OCPhoto

Criada em 1948, a OMS conta com 150 escritórios e mais de 7.000 funcionários pelo mundo. Imagem: Shutterstock/OCPhoto

Como a OMS funciona na prática

A Organização Mundial da Saúde (OMS) opera por meio de seis escritórios regionais, permitindo uma abordagem descentralizada e adaptada às necessidades específicas de cada continente.

Essa estrutura garante que a organização possa responder de maneira mais eficiente a desafios locais, levando em consideração fatores como epidemiologia (ciência que estuda fatores determinantes das doenças), infraestrutura de saúde e contextos culturais daquela região específica.

Um exemplo marcante da atuação da OMS em nível regional, foi o combate ao surto de Ebola na África Ocidental entre 2014 e 2016, que atingiu principalmente Guiné, Libéria e Serra Leoa. Durante a crise, a OMS mobilizou equipes de resposta rápida, coordenou ações internacionais e forneceu suporte técnico para conter a disseminação do vírus.

Foto registrada em novembro de 2020 durante a pandemia de Covid-19. Foto: Myke Sena/MS

Foto registrada em novembro de 2020 durante a pandemia de Covid-19. Foto: Myke Sena/MS

O surto da doença matou mais de 11 mil pessoas em 2014  e, graças à sua contenção e a experiência adquirida no combate ao Ebola, a OMS foi capaz de aprimorar seus protocolos de resposta a emergências, fortalecendo a capacidade de países africanos para lidar com futuros surtos.

Desafios atuais da OMS e da ONU

A OMS ganhou ainda mais destaque durante a pandemia da Covid-19, quando foi alvo de críticas de diversos governos, incluindo o Brasil, à época sob o governo do ex-presidente Bolsonaro. A gestão da pandemia gerou questionamentos sobre a eficácia da vacinação e a independência da agência em relação a interesses políticos e econômicos.

A consequência disso foi o fortalecimento da narrativa negacionista promovida por parte da direita brasileira, que não só atrasou o processo de vacinação no país como também incentivou o uso de tratamentos sem comprovação científica como a ivermectina.

Outro desafio atual da OMS são seus financiamentos. Hoje em dia, a agência depende de contribuições voluntárias de países e organizações privadas para continuar atuando na vigilância médica e sanitária do mundo. Porém, esse único meio de arrecadação de dinheiro levanta preocupações pela falta de estabilidade e abre espaço para que governos da direita usem pretextos para enfraquecer a agência e reduzir seu impacto.

O uso da máscara tampando os olhos é uma analogia ao negacionismo e o impacto que a desinformação teve durante a pandemia. Imagem: divulgação.

O uso da máscara tampando os olhos é uma analogia ao negacionismo e o impacto que a desinformação teve durante a pandemia. Imagem: divulgação

A atuação da OMS na saúde coletiva ao redor do mundo

A OMS é responsável por monitorar doenças infecciosas em escala global, alertando governos e população para ameaças emergentes. Durante a pandemia da Covid-19, a agência teve um papel crucial na orientação de políticas de contenção da doença e no desenvolvimento de protocolos sanitários, inclusive sendo responsável por sugerir o lockdown (confinamento extremo) durante a pandemia.

No entanto, governos de direita, como o de Jair Bolsonaro, ignoraram ou descredibilizaram tais diretrizes, resultando em um excesso de mortalidade, com quase 15 milhões de mortes entre 2020 e 2021, que, segundo estudos, poderiam ter sido prevenidas.

Além da Covid-19, a OMS também monitora epidemias como o surto de Ebola, que afetou tragicamente países africanos entre 2013 e 2016, e a disseminação do vírus Zika, que também teve grande impacto no Brasil em meados de 2015.

São ações como a prevenção e a gestão dessas doenças pelo mundo, além de campanhas de vacinação, melhoria do acesso ao saneamento básico e água potável, que tornam a atuação da Organização Mundial da Saúde tão importante.

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom. Foto: Denis Balibouse

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom. Foto: Denis Balibouse

A atuação da OMS na saúde pública brasileira

A OMS atua diretamente na saúde pública do brasileiro, inclusive desempenhando um papel fundamental ao oferecer diretrizes, suporte técnico e até financiamento para diversas iniciativas do país.

Algumas das principais áreas de atuação da OMS no Brasil incluem desde o controle de doenças (e pandemias) como já falamos, mas também a promoção da saúde mental, a segurança (e vigilância) sanitária e até os impactos das mudanças climáticas no mundo.

Assim, a OMS não se limita a ajudar o Brasil a identificar e conter surtos de doenças antes que se espalhem. A organização também atua em outras áreas, como a saúde mental, apoiando a criação de centros de atendimento comunitário, como os CAPS, para que pessoas com transtornos mentais recebam tratamento adequado sem precisar passar longos períodos internadas em hospitais psiquiátricos.

Além disso, nos últimos anos a OMS também desempenha um papel central no combate a doenças infecciosas como a tuberculose, a malária e a AIDS. No Brasil, a organização fornece suporte técnico para campanhas de vacinação em massa, garantindo que imunizantes contra doenças como sarampo, poliomielite e febre amarela sejam distribuídos corretamente.

Esse suporte é viabilizado, em grande parte, por meio de sua representação regional, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que atua diretamente nos países das Américas. Mas, afinal, o que é a OPAS e como ela se relaciona com a OMS?

O diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, a ministra da saúde, Nísia Trindade, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom e o presidente Lula no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert

O diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, a ministra da saúde, Nísia Trindade, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom e o presidente Lula no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert

Tudo sobre a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) é uma agência internacional dedicada a melhorar a saúde e a qualidade de vida das populações nas Américas. Fundada em 1902, é a organização internacional de saúde pública mais antiga do mundo e atua como escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas.

No Brasil, a OPAS colabora estreitamente com o Ministério da Saúde, secretarias de saúde, conselhos de saúde, instituições de ensino e pesquisa, além de outros parceiros em níveis nacional, estadual e municipal. Esse trabalho é orientado pela Estratégia de Cooperação do País (ECP) para o período de 2022 a 2027 e tem alguns pilares como base para sua atuação nos próximos anos:

  1. Proteção e promoção da saúde da população, com foco especial em grupos vulneráveis.
  2. Fortalecimento dos serviços de saúde e programas impactados pela pandemia de Covid-19.
  3. Desenvolvimento de um Sistema Único de Saúde (SUS) mais resiliente e eficaz.
  4. Incentivo à pesquisa, inovação e produção de medicamentos e vacinas.
  5. Reforço na prevenção e resposta a emergências e desastres.

É nítido que a Organização Mundial da Saúde (OMS) desempenha um papel essencial na promoção da saúde pública global e que, no Brasil, sua atuação por meio das OPAS fortalece o SUS (Sistema Único de Saúde) e garante avanços na prevenção e no tratamento de doenças.

Diante dos desafios políticos e financeiros enfrentados pela OMS, é fundamental compreender seu impacto e defender seu papel na garantia da saúde como um direito universal. Para aprofundar o conhecimento sobre a estrutura do sistema de saúde brasileiro, seus desafios e oportunidades, você não pode perder o curso “A Saúde no Brasil e seus Desafios“.

Ministrado pela professora Jandira Feghali – médica, especialista em cardio-pediatria e deputada com ampla trajetória na defesa do SUS –, o curso oferece uma visão completa sobre o funcionamento do sistema público de saúde e as disputas em torno da saúde coletiva.

Não perca a oportunidade de se capacitar e entender mais sobre um tema tão relevante.

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