Por Iago Filgueiras*
Em um mundo de polarizações e discursos simplistas, onde o negacionismo científico e o revisionismo histórico ganham cada vez mais força, o pensamento crítico é fundamental. Por isso, é preciso mais do que apenas procurar informações — é importante questionar estruturas, reconhecer vieses e enxergar além das aparências.
Se a desinformação é capaz de envenenar a sociedade e colocar em risco o estado democrático, desenvolver o pensamento crítico pode ser um antídoto poderoso em tempos tão turbulentos.
Seja para entender a violência armada na América Latina, compreender como o futebol impacta nossa sociedade ou até mesmo fazer uma crítica social aprofundada, é essencial ter boas referências e consumir conteúdo de qualidade para tirarmos nossas próprias conclusões.
Por isso, esse artigo é para você que quer desenvolver o pensamento crítico! Aqui, vamos te mostrar alguns filmes para refletir e que, com certeza, vão te ajudar nessa caminhada.
1. De Quanta Terra Precisa o Homem? (2022)
Quando falamos em movimentos sociais no Brasil, é impossível deixar de falar sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), alvo de narrativas que tentam criminalizar a luta pela reforma agrária. Esse documentário, dirigido por Adilson Mendes,
É um convite para o pensamento crítico, levando o espectador a deixar de lado preconceitos e conhecer a importância do movimento no bem-estar social e na preservação ambiental.
Essa produção original do ICL tem como fio condutor a travessia do ex-banqueiro Eduardo Moreira e seu contato com o MST. Essa mudança de perspectiva permite a coexistência de mundos conflitantes e leva ao surgimento de uma operação no mercado financeiro capaz de revolucionar a produção agrícola do movimento e servir de inspiração para outras lutas.
O documentário está disponível para assinantes do ICL.
Confira o trailer:
2. América Armada (2018)
Um jovem do Rio de Janeiro que, com um celular, transmite ao vivo as operações e abusos da polícia na comunidade onde mora. Uma colombiana que perdeu o filho para a violência armada e hoje dedica a vida para promover o encontro entre mães em situação semelhante e os assassinos presos de seus filhos. Um jornalista do México, ameaçado de morte, que registra a luta de um grupo de indígenas que pegaram em armas para defender seus territórios.
A trajetória dessas três pessoas é o fio condutor desse documentário, do diretor Pedro Asbeg, que de uma favela no Rio, passando por Medelín na Colômbia, até Michoacán, no México, analisa com pensamento crítico um fenômeno comum aos três países: uma controversa política de “guerra às drogas” e a violência alimentada pelo Estado e pela indústria armamentista.
O documentário está disponível para assinantes do ICL.
Confira o trailer:
3. Estrada de Terra — Um refúgio do mundo (2023)
Nas montanhas enevoadas do Oregon, nos Estados Unidos, o diretor Mikael Lypinski explora uma comunidade isolada, tranquila e improvável, longe das convenções da sociedade moderna. Lá, ex-presidiários, ex-dependentes, artistas e sonhadores compartilham lidam com as dificuldades da vida, enquanto encontram conforto na natureza e uns nos outros.
Em meio à atmosfera mística da região onde, segundo a lenda, vive o Pé Grande, “Estrada de Terra – Um refúgio do mundo”, observa o cotidiano dos moradores que encontram, na simplicidade da terra, a possibilidade de se reconciliar com o próprio passado. O filme é um retrato de quem escolheu sair do asfalto e ir para a estrada de terra — de modo simbólico e literal. Uma história sobre liberdade, fragilidade e a força da comunidade em tempos de isolamento.
O documentário está disponível para assinantes do ICL.
Confira o trailer:
4. Futebóis (2024)
Este documentário, dos diretores Bruno Badain e Luis Ferraz, é um convite a olhar — com sensibilidade e pensamento crítico — as várias dimensões do futebol brasileiro. Para além das arquibancadas e gramados dos grandes estádios. Por meio de três histórias distintas, o filme explora a função do esporte em um quilombo do sertão pernambucano, em uma viela de Santo André e nos campos improvisados da várzea paulistana, revelando mais que um jogo.
O longa mostra, num exercício de pensamento crítico, como o futebol se conecta com identidade, inspira resistência e promove transformação social — se tornando, acima de tudo, em uma ferramenta de união, luta e esperança.
O documentário está disponível para assinantes do ICL.
5. Vai pra Cuba, Eduardo (2024)
Se você tem o pensamento crítico afiado e já se envolveu em algum debate político, é possível que alguém tenha te mandado ir para Cuba. Com Eduardo Moreira — que abriu mão da vida confortável de banqueiro para se tornar um companheiro na luta por mudanças sociais — não foi diferente. E ele foi mesmo!
O documentário, roteirizado por Eduardo Moreira e dirigido por Juliana Baroni, explora verdades inéditas e imagens históricas de um país conhecido por poucos, mas julgado por muitos. As adversidades enfrentadas e a resistência do povo cubano frente a décadas de isolamento e bloqueio econômico ganham novos contornos com entrevistas marcantes. O longa conta com participação do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e de Aleida Guevara, médica e filha do revolucionário Che Guevara.
O documentário está disponível para assinantes do ICL.
Confira o trailer:
6. Lost in Vagueness (2017)
Em Lost in Vagueness, a diretora Sofia Olins revisita um dos capítulos mais emblemáticos do Festival de Glastonbury — festival britânico de artes contemporâneas, famoso por shows ao vivo, performances de dança, teatro, cabaré, comédia e circo. A Lost Vagueness foi uma área criada por Roy Gurvitz, fundindo performance, ironia e uma energia completamente caótica.
A partir da amizade entre Roy e Michael Eavis, fundador do GlastonBury, o filme explora a ascensão e a queda da atração que revolucionou a cultura alternativa e os festivais do Reino Unido. Em uma história que celebra a criatividade, enquanto narra um processo de autodestruição, Olins reconstrói a trajetória de uma figura carismática e instável, mostrando como a rebeldia dos bastidores do festival foi engolida pelo próprio sistema que contestava.
O documentário está disponível para assinantes do ICL.
Confira o trailer:
7. Cidadão Boilesen (2009)
Este documentário, dirigido por Chaim Litewski — o mesmo diretor de Folha Corrida, que explora as ligações do jornal Folha de São Paulo com a ditadura militar — é essencial para quem quer desenvolver o pensamento crítico e escapar das armadilhas da extrema direita, que, cada vez mais, busca negar a verdade sobre esse sombrio período da história brasileira.
Com um vasto repertório de depoimentos, o longa revela a ligação do empresário Henning Albert Boilesen com a ditadura militar no Brasil. Então presidente do grupo dono da empresa Ultragaz, ele é apontado como um dos financiadores da Operação Bandeirantes (Oban), um braço repressivo do regime militar cujo objetivo era identificar, localizar e capturar grupos subversivos.
O documentário está disponível para assinantes do ICL.
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8. Não Ocidental (2020)
Não Ocidental acompanha a história de Thaddeus e Nanci, um casal de Montana, nos Estados Unidos, formado por um nativo e uma não-nativa e prestes a se casar. Esse documentário, de Laura Plancart, narra os desafios de um casamento interracial e expõe uma de opressão enraizada em Montana.
Com origens diferentes, ambos foram adotados durante a infância. Enquanto Thaddeus, um homem de origem Cheyenne, foi criado por uma família cristã branca, Nancy foi adotada por uma família do povo Lakota.
Enquanto Thaddeus quer retornar à sua cultura, Nancy busca agradá-lo, mas precisa encontrar um equilíbrio entre a vida moderna e sua tradição nativa. A trama explora como gênero e identidade atravessam diferentes gerações e como isso impacta os valores do casal.
O documentário está disponível para assinantes do ICL.
Confira o trailer:
O cinema como ferramenta de luta
Ao tornar fatos, memórias e injustiças em histórias de corpo e alma, as telas nos ajudam a debater, aprender, ensinar e enxergar o mundo com outros olhos. Elas mostram como o cinema pode ser uma excelente ferramenta de educação e transformação social e como assistir filmes para refletir pode ser um hábito positivo.
Assim, o pensamento crítico que esses filmes e documentários nos ajudam a desenvolver nos permite refletir sobre o que está à nossa volta, expandindo nossa visão de mundo, gerando questionamentos e agindo ativamente para promover uma sociedade mais justa.
No Instituto Conhecimento Liberta (ICL), acreditamos que o conhecimento realmente pode nos tornar livres e reconhecemos o papel do cinema nesse processo. Por isso, além de cursos sobre diversos assuntos, os assinantes da plataforma ICL podem assistir a filmes e documentários, alguns deles, exclusivos. Clique aqui e confira!
*Estagiário sob supervisão de Leila Cangussu