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Nova York, Estados Unidos
O sindicato de trabalhadores do setor automotivo dos Estados Unidos ampliou nesta sexta-feira (22) uma greve contra duas das três maiores montadoras do país, e o presidente Joe Biden anunciou que irá se unir aos piquetes na próxima terça-feira.
Cerca de 5,6 mil membros do sindicato United Auto Workers (UAW) abandonaram 38 centros de distribuição e de peças de reposição americanos da General Motors e Stellantis ao meio-dia de hoje, somando-se à greve iniciada na semana passada.
O anúncio da chegada de Biden, atendendo a um convite do presidente do UAW, Shawn Fain, mostra quanto está em jogo no conflito. O ex-presidente republicano Donald Trump também planeja visitar a região, na quarta-feira, em busca de apoio entre os eleitores da classe trabalhadora.
Ao anunciar a ampliação da greve, Fain disse que o movimento abrange 20 estados e fábricas da General Motors e Stellantis, com as quais as negociações estão paralisadas. A Ford não é afetada, uma vez que, apesar das divergências em alguns temas, a empresa fez concessões importantes desde que o protesto começou, há uma semana.
“Irei ao Michigan na terça-feira para me unir ao piquete e me solidarizar com os homens e mulheres do UAW que lutam para ter acesso a uma parte justa do valor que ajudaram a criar”, publicou Biden nesta noite no X, antigo Twitter. “É hora de fechar um acordo em que todos ganhem e que mantenha próspera a fabricação de automóveis americanos, com empregos bem remunerados.”
Ford cede
Fain explicou que a Ford havia melhorado as propostas anteriores ao restabelecer uma medida sobre o custo de vida que tinha sido suspensa em 2009. A empresa também ofereceu uma melhoria no sistema de participação nos lucros.
“Ainda não acabamos na Ford”, acrescentou o presidente do sindicato. Contudo, reconheceu que a montadora “está levando a sério o desejo de chegar a um acordo”, assinalou. “Na GM e na Stellantis a história é diferente”, acrescentou.
Em nota, a Ford disse que “trabalha diligentemente com o UAW para chegar a um acordo que recompense” seus trabalhadores. “Embora estejamos conseguindo avanços em algumas áreas, ainda temos diferença significativas a resolver nas questões econômicas cruciais.”
GM e Stellantis comentaram um relatório publicado hoje no jornal Detroit News, segundo o qual o UAW teria como objetivo gerar “um caos operacional” nas empresas como estratégia de negociação. O jornal se baseou em mensagens vazadas do diretor de comunicação do sindicato.
O relatório do Detroit News confirma que “os líderes do UAW manipulam o processo de negociação com base em suas agendas pessoais”, criticou a GM.
O UAW critica que cada um dos diretores-gerais das três maiores montadoras americanas ganhe mais de 20 milhões de dólares (cerca de R$ 100 milhões) por ano. O sindicato busca aumentos salariais de 40%, que igualariam a média dos aumentos recebidos pelos diretores-gerais nos últimos quatro anos.
Outras reivindicações chaves são a eliminação dos diferentes “níveis” salariais, um ajuste do custo de vida e o restabelecimento dos benefícios médicos para aposentados e de uma pensão para os funcionários de menor antiguidade.
Até agora, a greve teve efeito limitado nos lucros das empresas, pois nas três fábricas onde começou a paralisação são produzidas caminhonetes de médio porte rentáveis, mas que não constituem as maiores fontes de receita.
Os analistas consideram que o UAW deve ampliar ainda mais a greve, para fábricas mais rentáveis, dependendo das negociações.
jmb/bfm/sms/dga/db/rpr/mvv-lb/am
© Agence France-Presse
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