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O debate sobre o conflito no Oriente Médio dominou as redes sociais ao longo dos últimos sete dias, gerando engajamento também de atores não-polarizados. Desde o início, a estratégia da oposição foi simples: se aproveitar da intensa cobertura da imprensa sobre o episódio para, aliada a forte capacidade bolsonarista de produção de conteúdo, ligar o governo federal ao conflito e explorá-lo politicamente.
De maneira direta, menções de usuários ligados ao bolsonarismo buscaram conectar o PT, Lula e o governo federal ao grupo Hamas.
O ímpeto bolsonarista na disputa pelo tema pode ser observado também a partir da bios dos usuários que comentaram o tema no X (antigo Twitter): DEUS, PATRIOTA, CONSERVADOR, FAMÍLIA, CRISTÃO e BOLSONARO foram os termos mais utilizados entre os usuários para se definir.
No entanto, o ímpeto e a narrativa adotada pelo bolsonarismo não dão sinais de diálogo com atores não-polarizados. Entre estes usuários, as principais ocorrências ironizam e criticam justamente o uso político do episódio e o excesso de manifestações com juízo de valor sobre o conflito.
Assim, a politização acerca do tema gerou incômodo em atores não-polarizados que enxergam certo oportunismo na abordagem, passando então a criticar o excesso de posicionamentos “como se estivesse escolhendo um time” (2.6 milhões de visualizações) o uso religioso de Israel por influenciadores (3.6 milhões de visualizações), os excessos da cobertura da imprensa (3.2 milhões de visualizações) e a sensibilidade “seletiva” frente aos casos de violência no Brasil (3 milhões de visualizações).
No total, sete dos 10 principais tweets sobre o tema partiram de perfis não-polarizados.
No Facebook/Instagram, 41 das 50 principais publicações partiram de atores não-polarizados que exploraram principalmente o engajamento com o tema, aproveitando oportunidades de conteúdos que registravam alto volume de interações.
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