Boulos convoca representante dos EUA para explicar conversas com Tarcísio sobre tarifaço

Deputado questiona articulações fora da diplomacia oficial e quer esclarecimentos sobre possível alinhamento político
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Por Cleber Lourenço

O deputado Guilherme Boulos (PSOL‑SP) aprovou, nesta quarta‑feira (6), na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados, requerimento para convocar Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

O objetivo é que o diplomata explique, em audiência pública, encontros e conversas com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre o tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump. Segundo Boulos, tratam‑se de articulações “paralelas” às do governo federal e fora da competência de um governo estadual.

O requerimento destaca que as declarações de Trump sobre a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, embora ainda em caráter de proposta, já provocam instabilidade nos mercados e afetam diretamente setores estratégicos da economia, como aço, alumínio, suco de laranja, café e proteína animal. A medida é vista como um ataque comercial com motivações políticas, o que agrava a preocupação sobre seus efeitos a médio e longo prazo.

O documento também levanta questionamentos sobre a legitimidade e o conteúdo das conversas entre Escobar e Tarcísio, apontando que representantes estrangeiros não devem conduzir negociações com autoridades que não fazem parte da estrutura diplomática oficial. Ao citar nominalmente o governador paulista, o texto ressalta que ele é um defensor das medidas de Trump, o que poderia alinhar os interesses de São Paulo a objetivos externos, e não à defesa do conjunto da economia nacional.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, usando boné da campanha de Trump (Foto: Reprodução)

Boulos: “Tarcísio é defensor de Donald Trump”

Em declaração ao ICL Notícias, Boulos afirmou: “É muito grave que o representante dos EUA e Tarcísio estejam fazendo conversas ‘paralelas’ sobre os ataques de Donald Trump ao Brasil. A responsabilidade pelas negociações é do Itamaraty, não do governo de apenas uma das 27 unidades da federação. Pior: Tarcísio é defensor de Donald Trump, o que mostra que essa relação pode servir aos interesses dos Estados Unidos, e não aos do nosso país. É fundamental ouvir Escobar para esclarecer o que realmente está em jogo nesta trama”.

Boulos lembra ainda que o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil está vago desde a saída de Elizabeth Frawley Bagley, tornando Escobar a autoridade diplomática mais alta do país e responsável por representar oficialmente os interesses de Washington.

Para ele, isso reforça a importância da audiência pública, que deverá ouvir de forma oficial a posição norte‑americana e esclarecer se houve ou não ingerência nas relações comerciais bilaterais. A data da audiência será definida nas próximas semanas pela CFT.

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