O Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (7), Dia Mundial da Saúde, o Memorial da Pandemia, dedicado às mais de 700 mil vítimas da Covid-19 no Brasil. Instalado no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), no Rio de Janeiro, o espaço marca a reabertura do local ao público e busca preservar a memória do período.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o país enfrentou não apenas uma crise sanitária, mas também uma crise de responsabilidade pública.
“O negacionismo custou vidas. A ciência já demonstrou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada se tivéssemos seguido as evidências, incentivado a vacinação e protegido a população. O que vimos foi o oposto: desinformação, descrédito da ciência e até a banalização do sofrimento de quem estava doente. Isso não pode ser normalizado nem esquecido”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O memorial reúne diferentes espaços de homenagem, incluindo uma instalação digital com os nomes das vítimas, um monumento, uma escultura do artista Darlan Rosa –criador do personagem Zé Gotinha — e um espaço temático voltado ao público infantil, com foco na conscientização sobre vacinação. Também houve reconhecimento a jornalistas e veículos de comunicação pelo papel desempenhado durante a pandemia.
Na mesma ocasião, também foi lançado o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do SUS, elaborado em parceria com a Fiocruz. O documento reúne orientações para diagnóstico e tratamento de sintomas persistentes da doença e consolida diretrizes para profissionais de saúde em todo o país.
O guia aborda manifestações que podem surgir semanas após a infecção, mesmo em casos leves, incluindo complicações cardiovasculares, respiratórias, neurológicas e de saúde mental. A publicação também traz protocolos clínicos e fluxos de atendimento, com atenção especial a grupos vulneráveis.
Estimativas indicam que cerca de 25% dos brasileiros que tiveram Covid-19 apresentam sintomas prolongados. O objetivo é padronizar o atendimento e fortalecer a atuação do SUS.
O ministério também anunciou o lançamento do Memorial Digital da Pandemia, desenvolvido em parceria com a OPAS/OMS e a Unicamp. O acervo dará origem a uma exposição itinerante que percorrerá seis capitais entre maio de 2026 e janeiro de 2027.
O governo afirma ter ampliado a cobertura vacinal no país. Em 2025, houve aumento no número de crianças vacinadas, interrompendo a queda registrada até 2022. A vacina tríplice viral, por exemplo, ultrapassou a meta de cobertura em 2024.
Outros imunizantes também apresentaram avanço, como os voltados à prevenção de pneumonias, meningite e HPV. Entre adolescentes, a cobertura vacinal contra o HPV cresceu significativamente, especialmente entre meninos.
Desde 2023, mais de 72 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 foram distribuídas no país. Durante o pico da pandemia, entre 2021 e 2022, esse número chegou a 505 milhões.
A retomada das campanhas contou com investimento de R$ 450 milhões e incluiu ações como o retorno do personagem Zé Gotinha, mobilizações nacionais, vacinação em escolas e uso de ferramentas digitais, como o aplicativo Meu SUS Digital.
A reabertura do CCMS faz parte de um processo de requalificação do espaço, que recebeu investimento de cerca de R$ 15 milhões por meio do Novo PAC. O local passa a atuar como um ponto permanente de integração entre saúde, cultura e memória.
Para os próximos meses, está prevista a realização da exposição “Vida Reinventada”, com curadoria de Nísia Trindade Lima. A mostra pretende refletir sobre os impactos da pandemia, reunindo arte, ciência e memória em uma abordagem coletiva sobre o período.