Câmara aprova convite a diplomata dos EUA e audiência sobre tarifaço

Comissão de Finanças quer explicações sobre tarifas e debater soberania em setores como lítio e terras-raras
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Por Cleber Lourenço

A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (6) o convite ao encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre a nova rodada de tarifas de 50% aplicada contra produtos brasileiros pelo governo norte-americano. A audiência está prevista para ocorrer em uma das próximas duas quartas-feiras, dias 13 ou 20 de agosto.

O convite ocorre em meio à escalada de tensões comerciais entre os dois países e tem como foco discutir os impactos econômicos das tarifas sobre as exportações brasileiras, além de buscar alternativas diplomáticas e institucionais para reequilibrar as relações comerciais bilaterais.

Câmara vai fazer audiência pública sobre minerais estratégicos

A pauta da comissão também incluiu a aprovação de uma audiência pública para discutir o potencial brasileiro na exploração de minerais estratégicos — como lítio, níobio e terras-raras — e a necessidade de uma política nacional para o setor. O debate será conduzido sob o enfoque da soberania nacional e da disputa internacional por recursos críticos para a transição energética.

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O deputado federal Rogério Correa é relatora da Comissão de Finanças (Foto: Câmara dos Deputados)

Segundo o presidente da comissão, deputado Rogério Correia (PT-MG), a obstrução promovida por parlamentares bolsonaristas não impediu a aprovação de medidas relevantes contra o tarifaço.

“A primeira delas é uma moção de repúdio ao tarifaço endereçada ao presidente Donald Trump, para que fique claro que a Câmara dos Deputados não concorda com essas medidas absurdas. A segunda é a audiência pública que vou marcar para a próxima semana, para ouvir os reflexos do tarifaço no Brasil, reunindo setores empresariais e trabalhadores afetados. E a terceira é o convite, ou quase convocação, de Gabriel Escobar, encarregado de negócios dos EUA no Brasil, já que nem embaixador eles mantêm aqui, como demonstração do desprezo com que tratam o nosso país. Ele precisará explicar por que essas sanções estão sendo impostas ao Brasil de maneira tão arbitrária”, afirmou.

Correia ainda destacou que a comissão aprovou uma audiência sobre soberania e minerais críticos. “O objetivo é defender nossas riquezas naturais, especialmente as terras-raras e minerais estratégicos, que estão no centro do interesse dos EUA. Não vamos permitir que o Brasil se transforme no quintal dos norte-americanos com a ajuda da família Bolsonaro e seus aliados.”

A comissão também pretende ouvir representantes do Ministério da Fazenda, do Itamaraty, da indústria nacional e especialistas em comércio exterior. A expectativa é reunir subsídios técnicos e políticos para orientar a atuação do Legislativo frente aos efeitos do tarifaço e à crescente relevância dos minerais estratégicos no cenário internacional.

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