Campanha pede ajuda do governo brasileiro para tirar Assmaa dos bombardeios em Gaza

Em meio ao bombardeio israelense na região, Assmaa, que morou por anos no Brasil, vive um drama, sem comida em casa, com quatro filhos
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Uma reportagem da jornalista Heloisa Villela, no ICL Notícias, em abril deste ano, revelou o drama vivido por Assmaa Abu Jidian, que cresceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, dos 4 aos 18 anos, quando voltou com a família para a Faixa de Gaza. Em meio ao bombardeio israelense na região, Assmaa vive um drama, sem comida em casa, com quatro filhos.

Assmaa sonha em fazer o caminho de volta ao Brasil. O pai chegou a dar entrada nos documentos de naturalização dela. Mas nunca completou a papelada. Hoje, Assmaa não tem a cidadania brasileira, apesar do português fluente e dos boletins escolares que atestam os anos da infância, adolescência e começo da vida adulta passados no Brasil.

“Eu não tenho medo de morrer. Tenho medo de perder uma perna, quebrar o quadril. Aqui, é preciso muita força de vontade para não ficar maluco”, disse Assmaa Abu Jidian ao ICL Notícias, à época.

Uma campanha, lançada nas redes sociais nesta terça-feira (26), cobra a ajuda do governo brasileiro para resgatar Assmaa e família e trazê-los de volta ao país. Em um vídeo com a participação de artistas e personalidades, é cobrada a aprovação dos documentos de Assmaa para que ela possa ser resgatada.

“Estamos pedindo ao governo que aprove seus documentos e reúna sua família no país em que viveu por quase 20 anos. Assmaa não é uma estranha, ela é uma de nós e seus filhos merecem paz”, diz o texto da campanha.

“Nenhuma mãe, nenhuma criança, nenhuma família deveria ficar para trás. Salvar Asmma e sua família é salvar a esperança de todas as famílias em risco. Juntos, podemos trazê-los para casa”, completa o vídeo.

Drama de Assmaa Abu Jidian em Gaza

Desde o início da guerra em Gaza, em 2023, Assmaa já recorreu ao Itamaraty e à representação brasileira para a Palestina diversas vezes, mas teve todos os pedidos de repatriação negados. Ela e os quatro filhos continuam vivendo na região central de Gaza, uma das áreas mais conflagradas.

Assmaa gaza
Assmaa Abo Eldijian (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Assmaa é filha de pai palestino e mãe síria, ela nasceu nos Emirados Árabes Unidos, mas veio para o Brasil aos quatro anos, em 1991, e cresceu no país junto com os três irmãos. Assmaa obteve o direito de residência permanente no Brasil, estudou no Colégio Santo Antônio e foi alfabetizada somente em português.

A família de Assmaa solicitou repatriação em duas operações de retirada coordenadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil no território palestino, em novembro de 2023 e maio de 2024. Segundo a família, a solicitação foi negada com a justificativa de que, ao deixarem o Brasil sem autorização, teriam perdido o status de refúgio.

A lei brasileira de fato determina que, antes de viajar, a pessoa refugiada precisa aguardar a autorização do Estado brasileiro. Caso contrário, pode perder o status.

O que diz o Itamaraty?

Em maio deste ano, em resposta à “Agência Brasil”, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmou que o governo brasileiro não consegue retirar da Faixa de Gaza a palestina Assmaa Adbo Eldijan. Segundo o Itamaraty, o governo só é capaz de negociar a retirada de cidadãos brasileiros ou que sejam do núcleo familiar direto de brasileiros. “Esse requisito foi também verificado pelas autoridades dos países envolvidos, de modo a autorizar suas saídas”, disse o MRE.

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