Por Cleber Lourenço
A Casa Civil afirmou na manhã desta quarta-feira (1º) que ainda não houve o envio formal do nome do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ao Senado Federal para indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Na terça-feira (31), o governo havia anunciado que enviaria o nome do ministro até o final do dia. A informação também havia sido confirmada pelo próprio ministro ao ICL Notícias.
Em nota oficial, o órgão declarou: “que quando a documentação do ministro Messias for enviada ao Senado a Casa Civil avisará aos veículos de imprensa” e que não tem mais informações até o momento.
A manifestação, embora breve, confirma que o governo ainda não oficializou a indicação, apesar da expectativa criada nos bastidores de que o envio ocorreria ainda nesta semana.

Escolhido
Jorge Messias é o nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta no STF, e sua indicação já é tratada como definida dentro do Palácio do Planalto. A formalização, no entanto, depende do envio da mensagem presidencial ao Senado.
A declaração da Casa Civil ocorre em meio a um cenário de tensão política envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo membros da articulação política do Palácio do Planalto, o envio do nome sem alinhamento prévio com o senador seria interpretado como um gesto de força do governo.
Nos bastidores, a avaliação é de que o Planalto busca pressionar o Senado a dar andamento rápido à tramitação, evitando que a indicação fique represada por tempo indeterminado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O governo trabalha com a expectativa de que a sabatina e a votação no plenário ocorram ainda no primeiro semestre. A estratégia passa por evitar o cenário enfrentado por outros indicados, que tiveram seus nomes retidos por meses antes da análise.
Um dos principais fiadores da indicação de Messias é o ministro do STF André Mendonça, que também enfrentou resistência inicial no Senado durante sua própria indicação. A leitura dentro do governo é de que há ambiente político para aprovação, desde que o processo seja pautado sem atrasos.
Com a declaração da Casa Civil, o governo mantém o controle sobre o timing da indicação e sinaliza que o envio do nome seguirá sendo tratado como movimento estratégico dentro da articulação política com o Congresso.