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Por Gabriel Gomes*

Os jogos de cassino online se popularizaram e conquistaram muitos adeptos, principalmente entre o público jovem, com propagandas espalhadas pelas redes sociais. Uma pesquisa do Datafolha, divulgada em janeiro deste ano, revelou que 15% dos brasileiros dizem fazer ou já ter feito apostas online. Entre o público de 16 a 24 anos, quase um terço (30%) já apostou.

A promessa de ganhos altos e o gasto excessivo nessas plataformas causam, muitas vezes, problemas sérios para apostadores que, ainda jovens, perdem o controle.

Um desses casos é o da carioca Mariana Neves, de 20 anos. Ela conheceu as plataformas de cassino online em 2022, quando tinha recém-completado 18 anos. O que era uma tentativa de conseguir renda extra se tornou um vício que a fez perder grandes quantias e patrimônios.

“Esse jogo traz ganância. Quanto mais eu jogava, mais dinheiro eu queria fazer e apostar”, relata. “A gente fica nesse vício. Eu tirava dinheiro de responsabilidade, da fatura do cartão, tudo isso achando que eu ia vencer na vida com esse jogo, mas não foi nada disso. Só me levou ladeira abaixo e me gerou frustração”.

Para Mariana, a aposta em cassinos online pode estimular a ganância de pessoas que jogam e não conseguem parar.

Os gastos de Mariana na plataforma, com o passar do tempo, foram ficando cada vez mais altos. Em certos momentos, a jovem chegou a pegar empréstimos para colocar mais dinheiro nos jogos, na ilusão de que conseguiria recuperar tudo. Mariana chegou a apostar gastar mais de R$ 50 mil em uma das plataformas de apostas.

“Eu sempre trabalhei e paguei tudo certinho. Depois do jogo, eu comecei a tirar dinheiro dessas responsabilidades e apostar. Qualquer dinheiro, eu colocava lá. Até empréstimos eu fiz para apostar. O dinheiro do meu pagamento, do meu trabalho, eu pegava e jogava tudo, achando que eu ia ganhar. Mas, não, era só uma ilusão”, diz Mariana.

‘Vendi a casa do meu pai’

O momento em que Mariana tomou consciência de que as apostas cada vez mais altas nas plataformas de cassino online tinham se tornado um vício se deu após o acontecimento que a jovem descreve como a “maior tragédia” de sua vida.

Quando já tinha realizado empréstimo e despendido boa parte de seus ganhos nas apostas, Mariana, em uma tentativa de recuperar o dinheiro dentro das próprias plataformas, vendeu a casa do pai, localizada no bairro de Colégio, zona Norte do Rio, um dos poucos patrimônios que ele conseguiu conquistar.

“Eu estava sem saída, sem dinheiro, sem nada e a solução que encontrei foi vender a casa do meu pai, sem poder. Peguei o dinheiro achando que ia conseguir levantar a minha vida e recuperar o que já tinha perdido, mas o jogo levou tudo”, lamenta Mariana. “Também vendi dois celulares para conseguir dinheiro para jogar. O vício nos leva a fazer coisas assim”.

Depois de vender a casa, a jovem começou a questionar o que o vício estava causando a ela.

Propaganda dos cassinos online

Uma das apostas das plataformas de cassinos online para atrair público, sobretudo de faixa etária mais jovem, tem sido promover propagandas pagas feitas por influenciadores digitais nas redes sociais. Foto: Reprodução

Uma das estratégias das plataformas de cassinos online para atrair público, sobretudo de faixa etária mais jovem, tem sido promover propagandas pagas feitas por influenciadores digitais nas redes sociais.

“Eu evito muito ficar entrando no Instagram ultimamente para não ver anúncios desses jogos. Eles estão utilizando influenciadores digitais para divulgar as plataformas”, diz. “Eu não posso mais ficar à toa que já penso em jogar, tudo é motivo para jogar. Esse jogo acabou com a minha vida”, completa.

‘Donos das plataformas estão ficando cada vez mais ricos’

Após se recuperar do vício nos jogos de cassino online, Mariana reflete sobre o drama vivido e sobre o que as plataformas podem causar na vida de outras pessoas: “Diria para não apostarem porque tudo não passa de uma ilusão. Os donos das plataformas estão ficando cada vez mais ricos em cima de nós, pobres, pois ficamos na esperança, achando que vamos ganhar dinheiro para poder subir na vida”.

“Esses jogos têm que acabar porque destruíram a minha vida e a de muitas outras pessoas, é inacreditável o que eu, com 20 anos, fiz. Deixei meu pai sem casa por causa desses jogos e não ganhei nada. Me arrependo muito porque meu pai conquistou aquilo com dinheiro dele, mas o vício me levou isso”, conclui.

De acordo com a pesquisa, o gasto médio mensal entre o total de pessoas que apostam é de R$ 263 . Três em cada dez apostadores afirmam gastar mais de R$ 100 por mês.

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