Sam Altman anunciou o ChatGPT-5 como um salto rumo à superinteligência artificial. Prometeu respostas mais acertadas, maior velocidade e melhor desempenho. Após as primeiras horas, o que se viu foram milhares de usuários revoltados nos fóruns do Reddit gritando que o “upgrade é horrível”.
Em 24 horas, a OpenAI teve que fazer algo inédito e trouxe de volta o modelo anterior que havia aposentado. Foi uma das maiores propagandas enganosas do setor de IA até aqui e um lembrete de que as promessas grandiosas da indústria estão descoladas da realidade dos usuários. Numa disputa comercial e hegemônica acirrada, está claro que essas empresas tem inflado muito as próprias capacidades.
Muitos usuários reclamaram que suas conversas no ChatGPT perderam a “personalidade” e houve um luto pelo GPT-4o, especialmente entre aqueles que usavam o sistema para apoio emocional. Algum disseram que a ferramenta que antes os havia ajudado a lidar com ansiedade e depressão, havia perdido o calor e compreensão e que parecia… humana.
Comunidades como r/MyBoyfriendIsAI, dedicada a conversas sobre relacionamentos amorosos com chatbots, disseram que perderam o vínculo afetivo genuíno e uma sensação de abandono após a mudança forçada para o GPT-5. Apesar dessas mudanças supostamente terem melhorada a qualidade das respostas, diversas análises na mídia especializada mostraram que o festival de erros e alucinações continuam acontecendo.

Por conta da dependência de alguns usuários e dos erros constantes, a OpenAI programou o ChatGPT para parar de dar conselhos definitivos sobre relacionamentos e para sugerir pausas em sessões longas. Sem esperar alguma atitude dos laboratórios de IA, Illinois se tornou o primeiro estado dos EUA a banir terapia por IA após casos onde chatbots empurraram usuários para condutas perigosas. Mesmo assim, o sistema continua sendo usado por milhões de pessoas como terapeuta não licenciado, tomando decisões que afetam vidas reais baseadas em tecnologia que alucina rotineiramente.
Isso sem falar em riscos de privacidade. Recentemente houve um vazamento acidental de milhares de conversas privadas do ChatGPT para o Google. Diálogos íntimos sobre drogas, sexo, saúde mental e traumas apareceram indexados publicamente porque a interface induziu usuários ao erro ao compartilhar suas conversas.
A OpenAI prometeu correções depois que o estrago estava feito. Como sempre, as empresas de tecnologia lançam funcionalidades mal testadas em centenas de milhões de usuários e corrigem os erros depois que algo dá errado.
A distância entre o marketing e a realidade dessas ferramentas é gigante. Enquanto executivos prometem uma superinteligência, usuários reais criam vínculos emocionais com sistemas que não conseguem nem detectar episódios psicóticos enquanto acontecem. A “religião da AGI” (Inteligência Artificial Geral), como a jornalista Karen Hao define a crença quase mística no futuro da tecnologia, vende utopias enquanto entrega ferramentas instáveis para pessoas vulneráveis.
O lançamento desastroso do GPT-5 expôs a verdade inconveniente de que, ao menos até aqui, a IA funciona bem para tarefas específicas e limitadas, mas falha miseravelmente quando usada como substituto para julgamento humano, terapia profissional ou mesmo para companhia.
As promessas grandiosas servem mais para atrair investimento do que para resolver problemas reais. No final das contas, não importa quantos marcos você quebra se seus usuários acabam chorando a perda de um chatbot que pelo menos fingia se importar.