Desperte para a inovação

Inovar nos negócios é fundamental para se adequar aos novos tempos e, para isso, é preciso método e iniciativa
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Por Marcelle Vieira Salles

Para quem escolheu o caminho do conhecimento e investe atenção no que se passa no mundo, a consciência dos desafios que os próximos anos nos reservam é certamente mais profunda.

E não me refiro apenas às flutuações cambiais e ao arrefecimento das guerras no cenário internacional, mas especialmente aos aspectos relacionados à crise climática, que deveria estar sendo priorizada como esforço global à promoção do empreendedorismo social e ambiental.

E com relação a este tópico em específico, os conceitos e as práticas para a disseminação da inovação como fundamento nesta nova era marcada por escassez de recursos e de pessoas emancipadas é um dos caminhos a serem trilhados por quem deseja fazer a diferença em nossa geração.

Aprenda a inovar

Conforme Clayton M. Christensen (1952 – 2020) e Scott D. Anthony (1975 – Atual) descreveram em artigo para a Harvard Business Review, existem três etapas na utilização de teorias sobre inovação para sondar as transformações que moldam os negócios e estimulam o surgimento de inovações.

Se atente aos sinais de mudança

Em primeiro lugar, preste atenção aos sinais de mudança dados pelas empresas que emergem para atender às necessidades de três diferentes grupos de consumidores:

  • Clientes subservidos: para os quais as soluções existentes não são satisfatórias e que procuram inovações definitivas. Esses clientes querem preencher a lacuna entre o que lhes é oferecido e o que estão efetivamente buscando.
  • Clientes muito bem-servidos: para os quais as soluções atuais são excelentes. Tais clientes relutam em adquirir novas versões de produtos com preços menores e o surgimento de empresas que ofereçam soluções com características básicas. Contudo, recebem muito bem a inovação disruptiva, que possui tecnologia e diferenciação a preços satisfatórios.
  • Clientes que não são consumidores: aqueles que não têm conhecimento, capacidade ou poder aquisitivo para se beneficiar das soluções existentes. Os não consumidores recebem bem as inovações disruptivas relativas a novos mercados que se manifestam para resolver seus problemas de forma mais ágil e fácil.

Embora a maior parte das análises sobre as mudanças do setor focalize nos clientes subservidos para identificar as inovações com maior potencial, faz-se necessário prestar muita atenção aos clientes menos exigentes, muito bem-servidos, e também aos não consumidores, aparentemente marginalizados no mercado atual.

Analise o negócio dos concorrentes

A segunda parte do processo de sondagem para inovar, requer a análise dos negócios concorrentes, a fim de identificar os agentes mais notáveis. Será necessário avaliar os pontos fortes, fracos e obscuros em suas estratégias.

Aliado a isso, é essencial observar os processos — que determinam o que a empresa é capaz de fazer — e os valores — que denotam o que a empresa está propensa ou não a trilhar. Ainda nessa fase, será importante observar as assimetrias ao lado da empresa, ou seja, outros mercados e tecnologias ainda não acessados por essa empresa concorrente. Tal exercício não é fácil e tampouco rápido de ser implementado.

Todavia, é possível ser feito por meio de uma averiguação detida e de mapeamentos sobre as ações comerciais de determinado concorrente ao longo de um período de tempo. Geralmente, os analistas de inteligência competitiva dedicam cerca de três a seis meses acompanhando as estratégias de atores selecionados no mercado.

Analisar o negócio dos concorrentes é essencial para uma boa estratégia de inovação. Foto: reprodução
Analisar o negócio dos concorrentes é essencial para uma boa estratégia de inovação. Foto: reprodução

Avalie as melhores opções estratégicas

Finalmente, a terceira parte da sondagem para inovação avalia as opções estratégicas mais efetivas que podem ajudar a determinar quais serão os negócios mais promissores e aqueles que não serão sustentáveis. Por exemplo, ao analisar as empresas estreantes ou as que colhem maior engajamento do público, examine se elas demonstram abertura para inovar e mostram um espírito aberto à cooperação social, à sustentabilidade ambiental e à mudança.

Tenha sempre em mente que é possível quebrar padrões e pavimentar novos caminhos, seja pela colaboração e atuação em rede, seja pela emancipação e independência nesse modelo capitalista fracassado. O importante é que as pessoas empreendedoras estejam abertas e atentas aos sinais.

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