Um grupo de criminosos transmitiu ao vivo pelo TikTok o roubo e a agressão ao engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, no litoral paulista. A vítima havia participado de um ato pró-Lula na noite de sábado (24) e morreu na segunda-feira (26), após ser encontrada desacordada. A Polícia Civil investiga o caso e busca identificar os envolvidos.
Na live, é possível ouvir o momento em que Marcelo é abordado pelo grupo, que exige seu celular sob ameaças.
“É o seguinte, parceiro. Só manda o telefone para nós não te matar. (…) Só não deixa ele correr. Dá o telefone, vai. Vai, maluco. Está vendo a tropa, né? A tropa vai te pegar”, diz um dos homens.
Marcelo tenta responder: “Não, espera aí”. Em seguida, recebe um soco, cai no chão e tem seus pertences roubados. Ao perceber que o engenheiro está desacordado, um dos integrantes do grupo comenta: “Vish, nossa. Dormiu, louco”.
Outras pessoas acompanhavam a transmissão e apareciam dividindo a tela com o autor da live. Até o momento, o TikTok não se manifestou sobre o episódio.
Vítima participava de ato em apoio a Lula
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada nas proximidades da sede do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP).
O engenheiro se afastou dos amigos para ir ao banheiro e não retornou. Diante da demora, pessoas que estavam no evento começaram a procurá-lo e o encontraram desacordado na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou Marcelo à Santa Casa de Santos. Posteriormente, ele foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde permaneceu internado.
A família confirmou a morte na segunda-feira (26), após a realização de exames que atestaram a irreversibilidade do quadro.

Polícia investiga caso
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado pelo 4º Distrito Policial (DP) de Santos. Segundo a pasta, os investigadores analisam as imagens divulgadas e buscam outras gravações de câmeras de monitoramento para identificar os envolvidos.
A ocorrência foi registrada como roubo com resultado de lesão corporal grave. A Polícia Civil também trabalha para esclarecer a dinâmica e a motivação do crime.
Em nota, a Banda Esquerdantina lamentou a agressão, cobrou rapidez na investigação e punição dos responsáveis. O grupo também manifestou repúdio à homofobia e alertou para os riscos de naturalizar o ódio como instrumento de intimidação política.
“Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia, alertando para os riscos que todos corremos ao naturalizar, proteger ou promover o ódio como método de intimidação política”, escreveu a banda.