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Juliana Dal Piva

Formada pela UFSC com mestrado no CPDOC da FGV-Rio. Foi repórter especial do jornal O Globo e colunista do portal UOL. É apresentadora do podcast "A vida secreta do Jair" e autora do livro "O negócio do Jair: a história proibida do clã Bolsonaro", da editora Zahar, finalista do prêmio Jabuti de 2023.

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Defesa de Bolsonaro ataca delação de Cid, mas ignora provas contra ele

Defesa procurou deslegitimar informações trazidas por ex-ajudante de ordens, mas silenciou sobre depoimentos
25/03/2025 | 12h33

Por Igor Mello

O advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Cesar Vilardi, centrou sua sustentação oral no julgamento da admissibilidade da denúncia sobre a tentativa de golpe de Estado em ataques à delação premiada de Mauro Cid. Na visão da defesa, a colaboração deve ser considerada nula. O presidente acompanha pessoalmente a audiência na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).

No entanto, o advogado silenciou sobre as principais provas contra o ex-presidente: os depoimentos dos comandantes do Exército e da Aeronáutica e a edição de uma minuta golpistas, discutida com eles.

Segundo Vilardi, a denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República) não tem provas contra Bolsonaro: “O que se achou com o presidente? Absolutamente nada”.

“Segundo a PF, ele mentiu, omitiu e se contradisse. E então há uma audiência para que ele tivesse a oportunidade de se corrigir. Mas aí, com todo respeito, há uma inversão. Porque não foi o Estado que foi buscar as provas de corroboração dele. O Estado trouxe os indícios e ele se adequa aos indícios trazidos pelo Estado. É completamente o inverso”, sustentou o advogado.

Bolsonaro foi incriminado por comandantes militares

A informação de que Bolsonaro discutiu e editou uma minuta que formalizaria o golpe de Estado e a apresentou ao comando das três Forças Armadas veio dos depoimentos de dois deles: o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, e do tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, então comandante da Aeronáutica.

A PF também apreendeu um discurso que anunciaria o golpe na sala de Bolsonaro na sede do PL, em Brasília. Vilardi negou que o documento pertencesse ao ex-presidente.

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