Democratas criticam Rubio por ajudar Flávio e ‘sabotar’ relação com Brasil

Carta cobra respostas de Rubio até dia 20 e foca na revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA
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Uma carta enviada por doze congressistas americanos ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrou explicações sobre o envolvimento do governo de Donald Trump com o clã Bolsonaro e criticaram o que chamaram de “escalada” na ingerência dos EUA nas eleições no Brasil.

O documento foi enviado depois da definição dos candidatos que farão parte do segundo turno das eleições no país e marca o terceiro posicionamento público por parte da oposição americana diante das suspeitas de ação de Trump no país, em apenas poucas semanas.

A composição do grupo dá peso institucional à cobrança. Seis dos 12 signatários integram o Comitê de Relações Exteriores da Câmara, responsável por temas de política externa e supervisão do Departamento de Estado. Entre eles está Gregory Meeks, principal democrata do colegiado (Ranking Member). A carta também reúne Sydney Kamlager-Dove, copresidente do Congressional Brazil Caucus, e James McGovern, copresidente da Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos.

No texto, os congressistas classificam o episódio da retirada de visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Viotti, como uma “disputa diplomática fabricada” pelo Departamento de Estado e descrevem a revogação da autorização como uma medida “extraordinária e sem precedentes”. Para os signatários, o episódio aprofunda a deterioração das relações com a maior democracia e economia da América do Sul e tem implicações que ultrapassam a controvérsia diplomática imediata.

Na carta, os deputados pedem que Rubio dê respostas até o dia 20 de outubro e cobram explicações sobre ações que podem ajudar Flávio Bolsonaro na eleição. Para eles, há uma tentativa de “sabotar” o processo eleitoral no Brasil.

Leia a carta completa:

Escrevemos em relação à disputa diplomática fabricada pelo Departamento de Estado com o Brasil, que resultou na revogação do visto diplomático da Embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Essa escalada desnecessária é a mais recente de uma série de ações que levaram a uma ruptura em nossa relação com a maior democracia e economia da América do Sul. Em um momento em que o Governo Trump afirma estar priorizando o Hemisfério Ocidental, essa decisão equivocada prejudica ainda mais a reputação dos Estados Unidos na região e aproxima o Brasil das mãos de nossos adversários.

A revogação extraordinária e sem precedentes do visto diplomático da Embaixadora Ribeiro Viotti
representa mais um exemplo do tratamento punitivo do Governo Trump a um parceiro democrático na região. O Governo Trump criou uma cisão em nossa relação bilateral com o Brasil ao impor tarifas de 50% sobre o Brasil e sancionar um de seus ministros do Supremo Tribunal Federal, tudo em um esforço fracassado para proteger o ex-presidente Bolsonaro, condenado por planejar um golpe violento e um plano de assassinato contra seus oponentes políticos.

Após seu encontro com o presidente Lula, o presidente Trump elogiou o presidente Lula, declarando: “Tive uma ótima reunião com o presidente do Brasil”, descrevendo Lula posteriormente como “um bom homem” e “um cara inteligente”. No entanto, estamos preocupados que as ações subsequentes do Departamento de Estado tenham buscado sabotar a relação com o Brasil, para fabricar essa crise diplomática a meses das eleições no Brasil.

A revogação do visto do embaixador Ribeiro Viotti é apenas a mais recente escalada no esforço contínuo do governo Trump para influenciar os resultados das eleições brasileiras de 2026. Desde funcionários do seu Departamento viajando para se encontrar com o ex-presidente Bolsonaro, que foi condenado por sua tentativa violenta de golpe para subverter a vontade do povo brasileiro em 2022, até sancionar o Ministro do Supremo Tribunal Federal, De Moraes, numa tentativa de proteger o ex-presidente Bolsonaro de processo, até questionar a credibilidade de eleições livres e justas no Brasil, o governo Trump tem buscado repetidamente influenciar os assuntos políticos internos do Brasil de maneiras que ameaçam as instituições democráticas e os processos eleitorais do país. Além disso, seu Departamento de Estado nomeou Darren Beattie como “Enviado para o Brasil”, em fevereiro deste ano, um indivíduo com um histórico bem documentado de retórica racista e inflamatória, incluindo discursar em uma conferência com a presença de proeminentes nacionalistas brancos.

Relatórios públicos indicam que autoridades americanas buscaram viajar ao Brasil para levantar preocupações infundadas sobre o sistema eleitoral brasileiro e que o governo brasileiro negou esses vistos porque acreditava que tais visitas resultariam em outra tentativa de influenciar as eleições brasileiras de 2026.

Embora desentendimentos diplomáticos entre aliados não sejam incomuns, a decisão de revogar o visto de um embaixador em exercício representa uma escalada substancial que deveria ser reservada para os casos mais graves. O Brasil é um dos maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, um importante parceiro regional de segurança e uma das maiores democracias do mundo. Ações que tensionam desnecessariamente essa relação bilateral têm implicações que vão muito além da disputa diplomática imediata.

O Congresso, portanto, tem a obrigação de entender por que o Departamento de Estado se afastou das práticas estabelecidas e tomou a medida extraordinária de revogar o visto do embaixador brasileiro. Além disso, solicitamos mais informações sobre as provocações do Departamento de Estado para prejudicar a relação bilateral após o produtivo encontro entre Trump e Lula em maio de 2026.

Solicitamos respeitosamente respostas às seguintes perguntas:

1. Quais fatos ou circunstâncias específicos fundamentaram a determinação extraordinária do Departamento de Estado de que a revogação do visto do Embaixador era justificada?

2. A revogação do visto do Embaixador foi supostamente uma ação retaliatória após o Brasil ter negado os vistos de Riley M. Barnes, Secretário de Estado Adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), e Samuel Samson, Subsecretário Adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL). Qual era o propósito da viagem deles ao Brasil e quais reuniões estavam planejadas no país?

3. Qual foi o nível de coordenação entre o Departamento de Estado e a Casa Branca? O Presidente foi informado da decisão de revogar o visto do Embaixadora Ribeiro Viotti?

4. O Secretário, o Subsecretário ou qualquer outro alto funcionário do Departamento de Estado autorizou contatos com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou seus representantes a respeito da revogação do visto do Embaixadora Ribeiro Viotti?

5. Por que autoridades do Departamento de Estado buscaram examinar minuciosamente o sistema eleitoral do Brasil em meio a uma campanha presidencial em curso, e que evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral brasileiro pode carecer de credibilidade?

6. O Departamento acredita que a eleição presidencial de 2022 no Brasil foi livre e justa? Ele dispõe de alguma evidência de que a eleição de 2026 no Brasil não o será?

7. O governo realizou alguma avaliação sobre se essas ações poderiam prejudicar as relações dos EUA com o Brasil, aproximar o Brasil da China ou comprometer a cooperação no combate ao narcotráfico, na segurança regional ou no comércio?

Dadas as implicações significativas desta questão para a diplomacia dos Estados Unidos e para a nossa relação bilateral com o Brasil, solicito respeitosamente que o Departamento forneça respostas por escrito a estas perguntas, detalhando suficientemente o processo de tomada de decisão do Departamento, até o dia 20 de outubro de 2026. Os Estados Unidos se beneficiam ao ajudar o Brasil a fortalecer sua democracia, e não ao apoiar aqueles que tentaram subverter a vontade do povo brasileiro em uma violenta tentativa de golpe em 2022.

As relações entre os EUA e o Brasil devem basear-se no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro, e não ser determinadas pela vitória ou derrota do candidato preferido pelo presidente Trump.

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