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Por Cleber Lourenço

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou nesta terça-feira (14) uma representação na Procuradoria Regional Eleitoral de Minas Gerais pedindo a abertura de investigação contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. A iniciativa busca apurar suspeitas de abuso do poder econômico, abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação na construção da pré-candidatura de Cunha a deputado federal por Minas Gerais.

Na representação, Correia sustenta que os fatos conhecidos nos últimos meses revelam uma estratégia coordenada para fortalecer politicamente Eduardo Cunha no estado antes do início oficial da campanha eleitoral. Segundo o documento, a combinação entre a expansão de uma rede de emissoras de rádio, o suposto direcionamento de recursos públicos e a aproximação com lideranças políticas e religiosas pode comprometer a igualdade de condições entre os futuros candidatos.

Um dos principais pontos da representação é a rápida expansão de emissoras de rádio ligadas ao núcleo familiar de Cunha. O documento cita rádios em Uberaba, Além Paraíba, Carangola, Raul Soares, Guarani, João Pinheiro e Belo Horizonte, registradas em nome de Daniel Cardoso Sá, genro do ex-deputado e marido da deputada federal Dani Cunha (União-RJ). Segundo a petição, a estrutura empresarial foi consolidada justamente no estado onde Cunha já anunciou que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026.

Deputado Rogério Correia (PT – MG) – Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A representação afirma ainda que uma dessas emissoras já teria sido utilizada para entrevistar com exclusividade o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República, sem que espaço semelhante fosse oferecido aos demais postulantes ao cargo. Para o parlamentar, esse episódio pode caracterizar utilização indevida dos meios de comunicação em benefício de aliados políticos.

Outro eixo da representação reúne as recentes investigações da Polícia Federal que apontam a atuação de Eduardo Cunha na indicação de emendas parlamentares, apesar de ele não exercer mandato eletivo. Correia argumenta que, se confirmadas, as condutas demonstrariam a utilização de influência política para direcionar recursos públicos e ampliar sua base eleitoral em Minas Gerais.

O documento relaciona o envio de R$ 6.150.378 para 29 municípios mineiros, distribuídos por diversas regiões do estado. Segundo a petição, a capilaridade da destinação dos recursos reforça a hipótese de construção de uma rede de apoio político em diferentes cidades às vésperas da disputa eleitoral de 2026.

Na representação, Rogério Correia afirma que o conjunto dos fatos ultrapassa episódios isolados e revela a convergência entre capacidade econômica, influência política e controle de veículos de comunicação para fortalecer um projeto eleitoral antes do período permitido pela legislação. O parlamentar pede que o Ministério Público Eleitoral instaure procedimento investigatório e, caso os indícios sejam confirmados, proponha uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), que pode resultar na declaração de inelegibilidade e impedir a candidatura de Eduardo Cunha.

A iniciativa amplia a pressão sobre o ex-presidente da Câmara poucos dias após a divulgação de documentos da investigação da Polícia Federal que o apontam como articulador do direcionamento de emendas parlamentares para municípios mineiros, mesmo sem ocupar cargo eletivo. Agora, além das apurações na esfera criminal, o caso passa a ganhar um novo desdobramento na esfera eleitoral, com foco nos possíveis impactos da atuação de Cunha sobre a disputa de 2026.

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