O deputado italiano Angelo Bonelli cobrou do governo da Itália informações sobre o paradeiro da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e questionou a ausência de medidas de monitoramento enquanto a Justiça italiana deve analisar, no próximo mês, um novo pedido de extradição apresentado pelo Brasil, no caso da perseguição armada nas ruas de São Paulo.
Bonelli afirmou ter encaminhado um pedido formal ao Ministério do Interior italiano para saber se as autoridades conhecem o endereço de residência de Zambelli no país. Segundo ele, até o momento não houve resposta do governo.
“É provável que as autoridades policiais italianas também não saibam onde Carla Zambelli está morando”, afirmou o parlamentar.
Bonelli classificou a situação como preocupante e disse considerar inadequada a ausência de mecanismos de controle para garantir que a ex-deputada seja entregue às autoridades brasileiras caso a extradição seja autorizada.
Segundo pedido de extradição
No dia 1º de julho, a Justiça da Itália volta a julgar um segundo pedido de extradição de Zambelli que envolve a condenação a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. Nesta terça-feira (23), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), à Advocacia-Geral da União garantias exigidas pela Itália para uma eventual extradição da ex-deputada.
A condenação está relacionada ao episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu armada um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão política.
Em documento encaminhado ao governo italiano, Bonelli destacou que, após essa condenação, a Interpol emitiu uma segunda difusão vermelha (“Red Notice”), em agosto de 2025, a pedido das autoridades brasileiras.
O parlamentar questionou se o governo italiano pretende cumprir o mandado de prisão internacional e adotar medidas de vigilância previstas na legislação do país para evitar risco de fuga enquanto a Justiça decide sobre a extradição.
Primeiro pedido de extradição foi rejeitado
O novo julgamento ocorre pouco mais de um mês após a Corte Suprema de Cassação da Itália rejeitar a extradição de Zambelli no processo referente à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), caso em que a ex-deputada foi condenada a dez anos de prisão pela Justiça brasileira.
Na ocasião, os magistrados italianos apontaram dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento conduzido pelo STF. A decisão mencionou que o ministro Alexandre de Moraes teria acumulado diferentes funções ao longo do processo, atuando simultaneamente como integrante do colegiado julgador e como pessoa considerada prejudicada por um dos crimes atribuídos à ex-deputada.

STF envia garantias à Itália
Na terça-feira (23), o ministro Gilmar Mendes encaminhou à Advocacia-Geral da União (AGU) as garantias solicitadas pelas autoridades italianas para a eventual extradição de Zambelli no caso da perseguição armada.
Segundo informações enviadas ao governo italiano, Mendes ressaltou que a condenação foi confirmada pelo plenário do STF por ampla maioria. O placar foi de 9 votos a 2 para o crime de porte ilegal de arma de fogo e de 10 votos a 1 para o delito de constrangimento ilegal.
O ministro também sustentou que o processo transcorreu de forma regular, sem vícios que impeçam a extradição. Entre as garantias oferecidas pelo Brasil estão o cumprimento da pena na Penitenciária Feminina de Brasília, o acesso da ex-deputada a advogados, familiares e à representação diplomática italiana, além do fornecimento de informações periódicas às autoridades consulares da Itália.
A decisão da Corte de Cassação, prevista para 1º de julho, poderá definir os próximos passos do processo e o futuro do pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro.