Deputado paulista concentra 1/4 dos gastos da Câmara com anúncios no Facebook em 2025

Bruno Ganem recebeu mais de R$ 306 mil em ressarcimentos, em um ano em que a Câmara já pagou mais de R$ 1,2 milhão à Meta
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Por Cleber Lourenço

Levantamento da reportagem mostra que a Câmara dos Deputados já desembolsou mais de R$ 1,2 milhão em 2025 apenas com ressarcimentos para impulsionamento de publicações na Meta, responsável pelo Facebook e Instagram. O dado, por si só, já revela o tamanho da dependência de parlamentares da publicidade paga para manter presença digital. Mas um detalhe chama ainda mais atenção: mais de R$ 306 mil desse total foram usados apenas pelo deputado Bruno Ganem (Podemos-SP).

Na prática, Ganem concentra sozinho cerca de um quarto de todos os valores pagos pela Câmara neste ano para turbinar conteúdo político nas redes da Meta. É um movimento incomum, mesmo em um ambiente em que a autopromoção digital virou rotina e onde a fronteira entre comunicação institucional e marketing pessoal fica cada vez mais tênue.

Membros da área técnica da Câmara explicam que o ressarcimento só pode ser autorizado quando os gastos têm relação direta com a atividade parlamentar — o que, segundo eles, exige pertinência clara e demonstração de finalidade pública. No caso específico dos impulsionamentos, a Casa admite a prática desde que o conteúdo promovido trate da atuação do deputado, e não de interesses privados ou eleitorais.

Os valores, porém, reacendem o debate interno sobre o uso de verba pública para ampliar alcance em redes sociais. Técnicos alertam, em reservado, que impulsionamentos em larga escala podem criar uma impressão artificial de engajamento e produtividade, mascarando períodos de ausência ou baixa atividade legislativa.

Ganem não está sozinho na corrida pelo alcance patrocinado, mas se destaca. Em um ano legislativo marcado por disputas narrativas intensas, a escalada de gastos com Meta evidencia uma mudança de padrão: a profissionalização do marketing digital parlamentar, financiado com dinheiro público, tornou-se regra — e, para alguns, um atalho para manter a sensação de presença permanente nas bases.

Procurada, a assessoria do deputado não respondeu até a publicação deste texto.

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