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Lenio Streck

Jurista, professor e advogado; doutor em direito; autor de 82 livros e 360 artigos em revistas especializadas.

Do Promotor de SP à delação Sherazade de Mauro Cid: o Brasil nos passos de Curupira

No ritmo que vamos, pediremos desculpas a Bolsonaro
10 de dezembro de 2023

Curupira: eis o personagem. Possui os pés ao contrário. Para que todos pensem que ele vai para trás…quando vai para a frente. Ou vice-versa. Um enganador.  O próprio Brasil caminha com os pés de Curupira.

Quase sofremos um golpe de Estado e seus artífices continuam por aí lépidos. E fagueiros. Impressionam os rastros do Curupira. Bolsonaro vai de sul a norte como se fosse candidato. Vai até a Argentina “representar” o Brasil. No fundo, ele representa, mesmo.  Passados 11 meses, ele retrata a impunidade.

Afinal, se, depois de tudo o que fez ainda não é nem indiciado, Bolsonaro representa, de verdade, nossos fracassos. Deveria ser nomeado embaixador junto a Milei.

Mientrastanto, curupirando, Cid dá uma de Sherazade. Cada dia promete uma nova historinha. E o rei não lhe corta a cabeça. O rei está louquinho para ouvir a nova história. Do dia seguinte. E se passam os meses.

O tenente-coronel Cid inventou a nova modalidade de delação: a delação-Sherazade! 1001 noites. E dias. E tudo indica que se salvará. E Junto com ele, todos se salvarão. Menos o Brasil. Claro: pensaremos que estão indo, quando, na verdade, estarão voltando. Com os pés de Curupira.

E, com os pés calçados com sapatos finos, um promotor de São Paulo se aposenta e passa a contar suas maldades. Diz que ingressou com ações sem provas. Contra Haddad. Ele, o membro do Ministério Público, já sabia. Fez por dolo. Para satisfazer seus interesses. E desejos. E enganou, com pés de Curupira, o sistema de Justiça. Mas vencerá. Como Bolsonaro vencerá o sistema de Justiça. E, como Cid, enganará o sistema. De novo. Se tudo der errado para o promotor paulista, dará certo – porque ganhará a mesma aposentadoria que ganha hoje. Favas contadas. Modéstia às favas.

E assim a vida antirrepublicana vai. Pensamos que vai, mas vem. Lei? O que é a lei? Os funcionários de um aeroporto do Mato Grosso humilharam uma diretora da XP. Fizeram-na tirar uma prótese. Dizem que estavam cumprindo a lei. Céus!! A lei!! Explica-se: cumpriam a lei do mesmo modo que o Promotor paulista. E do mesmo modo que a polícia do Rio de Janeiro cumpriu mandado de prisão contra uma professora por esta “ter cometido crime quando tinha dez anos de idade”. Passou 8 dias presa. Tudo sob os auspícios do herói malandro Macunaíma e os pés do outro “herói”: Curupira.

Logo, no ritmo que vamos, pediremos desculpas a Bolsonaro. E ao pai do Cid. E ao Cid. E à polícia do Rio. E aos funcionários do aeroporto. E, por que não, ao promotor de São Paulo.

Mas tudo isso será feito de forma a que ninguém perceba: faremos parecer que estamos indo, quando, de fato, estaremos voltando.

Percebem?

Fracassamos.

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