Durante a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), criminosos utilizaram drones para lançar explosivos sobre forças policiais. É o primeiro registro do uso desses equipamentos contra agentes do estado, em uma escalada do poder bélico das facções do crime organizado.
Imagens divulgadas nas redes sociais nesta terça-feira mostram os drones lançando os explosivos contra policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), a força de elite da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Controlando os drones, estavam criminosos ligados ao Comando Vermelho, facção alvo da operação. Veja:
Isso não é na Ucrânia ou Rússia, é Rio de Janeiro Penha – Alemão.
Narco-terroristas estão tacando bomba com uso de drones na polícia. pic.twitter.com/KXNO1VwTWC— CARIOCA TV (@CariocasTV) October 28, 2025
O uso do equipamento por traficantes já acontece em outros países do mundo. Em agosto, um drone derrubou um helicóptero da polícia colombiana que levava uma equipe para erradicar plantações de folha de coca no município de Amalfi. Em outubro, o Exército do país apresentou o seu primeiro batalhão de drones.
Em julho do ano passado, a Polícia Civil abriu uma investigação sobre o uso de drones pelo tráfico para monitorar territórios e lançar granadas em comunidades do Rio de Janeiro. Um dos ataques teria sido realizado pelo Comando Vermelho (CV) na comunidade do Quitungo, em Brás de Pina. Dois meses depois, em setembro, o cabo da Marinha Rian Maurício Tavares Mota foi preso, acusado de operar drones para a facção em uma ofensiva contra grupos paramilitares na Gardênia Azul.
O equipamento também teria sido empregado para vigiar ações policiais no Complexo da Penha — o mesmo local do ataque ocorrido nesta terça-feira. Já em março deste ano, outra investigação apontou que Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do Terceiro Comando Puro (TCP), demonstrava interesse em adquirir drones para enfrentar o CV.
Megaoperação contra o CV
Uma megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, teve ao menos 64 pessoas mortas e 81 presas. Trata-se de mais uma etapa da Operação Contenção, uma iniciativa permanente do governo do estado de combate ao avanço do CV por territórios fluminenses. 2.500 policiais civis e militares atuam para cumprir mandados de busca e apreensão e capturar lideranças criminosas do Rio e de outros estados.
No início da tarde, pistas da Linha Amarela, da Rua Dias da Cruz, no Méier, e da Grajaú-Jacarepaguá, dentre outras vias foram fechadas a mando do tráfico.
Segundo a “TV Globo”, entre os mortos há 4 policiais. Os policiais são Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, conhecido como Máskara, recém-promovido a chefe de investigação da 53ª DP (Mesquita); Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, da 39ª DP (Pavuna); Cleiton Searafim Gonçalves, policial do Bope; Herbert, policial do Bope. Seis pessoas foram baleadas, sendo três inocentes, incluindo uma mulher que estava dentro de uma academia.
A operação nos complexos do Alemão e da Penha já é considerada a mais letal da história da cidade do Rio de Janeiro. Até as 14h35(28), 60 pessoas haviam morrido nas duas localidades, ultrapassando as operações no Jacarezinho, em maio de 2021, com 28 óbitos, e a operação na Vila Cruzeiro, em maio de 2022, com 24 mortes. Todas as operações aconteceram no governo de Cláudio Castro (PL).