Alckmin critica tarifa de Trump e reforça diplomacia do Brasil; setores produtivos reagem

Vice-presidente destaca longa relação bilateral e reforça superávit na balança comercial entre os dois países favorável aos EUA
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O vice-presidente Geraldo Alckmin considerou injustas as tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros. Apesar das críticas, Alckmin reforçou que o governo manterá uma postura diplomática nas relações com Washington, destacando os 200 anos de amizade entre os dois países.

Alckmin, que também é ministro do MDIC (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), ressaltou que os Estados Unidos possuem superávit comercial com o Brasil, contrariando o argumento de Trump sobre déficit na balança comercial. “Dos 10 produtos que eles mais exportam para nós, 8 têm alíquota zero”, afirmou.

Ele apontou ainda que a medida pode prejudicar a própria economia norte-americana, citando como exemplo o setor do aço, no qual o Brasil importa carvão siderúrgico dos EUA para produção intermediária.

Além do Brasil, Trump anunciou a intenção de aplicar uma tarifa de 10% a países do bloco dos Brics — formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, entre outros. Em carta enviada ao presidente Lula, Trump justificou a sobretaxa brasileira citando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal), classificando-o como uma “vergonha internacional”, e acusando o Brasil, sem apresentar provas, de censurar plataformas americanas de redes sociais.

Contudo, no último dia 6 Trump ameaçou impor uma tarifa adicional de 10% a “qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics”. A declaração foi feita por meio da rede social Truth Social, sem detalhar quais países serão afetados nem especificar o que entende por “políticas antiamericanas”.

Brasil negociava tarifas com governo Trump

O MDIC informou que não esperava o anúncio da tarifa de 50% e que as negociações até então envolviam uma taxa de 10% para os países do Brics, sem indicação de uma sobretaxa ampla. O presidente Lula reforçou o compromisso do Brasil com o multilateralismo e a defesa da soberania, rejeitando qualquer forma de interferência externa nas instituições nacionais.

Dados do MDIC mostram que os EUA acumulam superávit comercial com o Brasil desde 2009, totalizando cerca de US$ 88,61 bilhões, ou R$ 484 bilhões, no câmbio atual. Para analistas, as tarifas anunciadas têm motivação política e geopolítica, e podem ser entendidas como uma tentativa de Trump de ampliar sua influência em negociações estratégicas.

Setores produtivos manifestam preocupação

A decisão de Trump gerou forte reação no setor produtivo do Brasil, que vê a medida como injustificada e prejudicial à economia do país, conforme reportagem da Agência Brasil.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) classificou a medida como desproporcional e pediu intensificação das negociações para preservar a relação comercial com os EUA, o segundo parceiro comercial mais importante depois da China.

O impacto deve ser sentido especialmente no setor de carnes, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), que alerta para o risco de inviabilização das exportações ao mercado americano.

A FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) também destacou o impacto negativo no agronegócio, apontando para a necessidade de uma resposta diplomática e estratégica para preservar a competitividade do setor.

A AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) qualificou a tarifa como uma medida política com forte impacto econômico, alertando para possíveis efeitos negativos na imagem do país e no interesse de importadores internacionais. As entidades reforçam a importância do diálogo e esperam que a taxação seja revertida para evitar prejuízos à economia brasileira.

 

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