Alckmin veta trechos da MP do setor elétrico e barra mudanças em royalties

Dispositivos previam repasses bilionários a geradoras afetadas por cortes na produção
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O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, vetou trechos considerados decisivos da Medida Provisória do setor elétrico, que envolviam o cálculo dos royalties do petróleo e a compensação a produtores afetados por cortes na geração de energia. Os dispositivos representariam um custo estimado de R$ 7 bilhões.

Os vetos foram publicados na terça-feira (25) no Diário Oficial da União e confirmados pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. A decisão já era prevista por integrantes do governo diante das disputas internas sobre o texto.

Após os vetos, Silveira afirmou que o governo alcançou “equilíbrio do setor elétrico”. Já agentes do mercado avaliam que as decisões aliviam custos imediatos para consumidores, mas deixam temas estruturais para discussão futura.

O governo vetou o trecho que revisava o preço de referência do barril usado no cálculo dos royalties. A mudança passaria a considerar uma média de cotações produzidas por agências internacionais, o que poderia elevar a arrecadação pública em R$ 4 bilhões a partir de 2026.

Segundo Silveira, a medida afetaria o fluxo de caixa e o plano de investimentos da Petrobras, além do repasse de dividendos ao governo.

Os auxiliares do presidente temiam impacto na estatal, enquanto parte da equipe econômica defendia o ajuste para reforçar as contas públicas.

Vetos na MP do setor elétrico

Compensação por cortes de energia (curtailment): Foi vetada a emenda que repassaria à tarifa de energia o custo de ressarcimento a usinas eólicas e solares afetadas pelo curtailment (redução ou interrupção forçada da geração de energia em usinas, especialmente as renováveis). A medida, incluída de última hora, poderia elevar em R$ 7 bilhões a conta de luz dos consumidores. O governo manteve apenas a garantia de compensação às empresas em casos de problemas técnicos na rede de transmissão.

Carvão mineral até 2040: O governo também manteve o trecho que prorroga a compra de energia de usinas a carvão até 2040. Silveira afirmou que essas fontes ainda são necessárias para garantir a segurança do sistema elétrico.

Outros Vetos Importantes

Regras do setor elétrico

  • Fim da obrigatoriedade de que concorrências sigam estritamente o planejamento do setor.
  • Rejeição ao mecanismo que dividiria prejuízos entre produtores em caso de cortes de energia.

Custos e encargos

  • Exclusão de novas despesas da micro e minigeração distribuída na CDE, estimadas em R$ 5 bilhões.
  • Veto à cobrança de taxas de empresas que apenas comercializam energia para financiar pesquisa e eficiência energética.
  • Barrada a inclusão de custos de TV aberta no programa Luz para Todos.

Leilões e infraestrutura

  • Veto a leilões anuais obrigatórios de potência; governo mantém flexibilidade para decidir quando realizá-los.
  • Rejeitada a exigência de licitação imediata da linha de transmissão Porto Velho–Manaus.
  • Mantida a prerrogativa do planejamento para definir leilões em áreas isoladas e responsabilidades da distribuidora do Amazonas.

Regulação e gestão

  • Veto à punição por improbidade administrativa para servidores que descumprissem contratações essenciais no setor.
  • Impedida a migração de grandes geradoras do mercado livre para o modelo de geração distribuída.

 

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