Alvo de Trump, Pix segue em expansão e entra em nova fase de inovação

Com recordes de uso, sistema de pagamentos instantâneos mira integração internacional
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O Banco Central segue avançando na chamada agenda evolutiva do Pix, consolidando o sistema como um dos principais meios de pagamento do país desde seu lançamento, em 2020. Ao mesmo tempo em que amplia funcionalidades e prepara novas soluções, a ferramenta passa a ocupar também espaço no debate político e econômico, inclusive em âmbito internacional.

Recentemente, críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacenderam discussões sobre o impacto do Pix no mercado global de meios de pagamentos. O sistema brasileiro, gratuito e instantâneo, é visto como concorrente direto de empresas tradicionais de cartões. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país não pretende recuar no desenvolvimento da ferramenta.

Em meio à celeuma, o Banco Central prepara uma série de inovações que devem ampliar o uso do Pix tanto para consumidores quanto para empresas:

Entre as mudanças previstas, estão:

  • Cobrança híbrida: integração entre Pix e boleto via QR Code, com obrigatoriedade prevista para novembro deste ano.
  • Pagamento de duplicatas: uso do Pix para liquidação de títulos de crédito, com atualização em tempo real e redução de custos.
  • Split tributário: adaptação do sistema para permitir o recolhimento automático de impostos no momento da transação, alinhado à reforma tributária.
  • Pix internacional (até 2027): proposta de integração entre sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes países.
  • Pix em garantia (até 2027): uso de recebíveis futuros como garantia para crédito, voltado a autônomos e pequenos empreendedores.
  • Pix offline por aproximação (até 2027): possibilidade de pagamentos mesmo sem conexão com a internet.
  • Pix parcelado (em estudo): padronização de regras para pagamentos parcelados, com potencial de ampliar o acesso ao crédito.

Crescimento acelerado e inclusão financeira

Os números refletem a rápida adoção do sistema. Em 2024, o Pix movimentou R$ 35,36 trilhões, estabelecendo um novo recorde. Mais do que volume financeiro, a ferramenta se destacou por ampliar a inclusão bancária e facilitar o acesso a serviços financeiros.

Dados do Banco Central mostram que o Pix está próximo de ser usado por toda a população adulta e bancarizada do país. O fator principal é a digitalização dos pagamentos, que mudou hábitos da população.

O Pix também contribuiu para impulsionar pequenos negócios, reduzir custos de transação e simplificar o recebimento de pagamentos, tanto no comércio físico quanto no digital.

Desde sua criação, o Pix vem acumulando funcionalidades que ampliam sua utilidade no dia a dia, com funções de cobrança, sendo uma alternativa ao boleto; saque e troco; agendamento de pagamentos; Pix por aproximação via celular; Pix automático, similar ao débito automático; e integração com Open Finance (pagamentos em múltiplas plataformas).

Soberania nacional em jogo

O avanço do Pix também o transformou em símbolo de soberania econômica. Integrantes do governo passaram a defender publicamente o sistema, destacando seu caráter nacional e sua independência em relação a grandes empresas internacionais.

A mobilização ganhou força após críticas externas e ocorre em um contexto de tensões comerciais. Para especialistas, o tema vem sendo incorporado ao discurso político como estratégia de reforço da agenda de soberania.

A expectativa é que, com as mudanças previstas pelo Banco Central, o sistema amplie ainda mais seu papel — não apenas como meio de pagamento, mas como infraestrutura central da economia digital brasileira.

 

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