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A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) enviou na quarta-feira (10) um ofício à Enel São Paulo exigindo explicações sobre a interrupção de energia que deixou 2,2 milhões de imóveis sem eletricidade após fortes rajadas de vento na capital e região metropolitana. As informações devem ser enviadas no prazo de cinco dias.

No documento, a Aneel lembra que a Defesa Civil já havia alertado sobre a formação de um “ciclone extratropical” em áreas de concessão da Enel e relembra outros episódios de queda de energia em 2023 e 2024.

“Considerando que os eventos climáticos de novembro de 2023 e de outubro de 2024 ocasionaram 2,1 milhões e 2,4 milhões de unidades consumidoras interrompidas, respectivamente, e o presente evento apresenta impacto de semelhante magnitude, com mais de 2 milhões de unidades consumidoras sem fornecimento, solicitamos esclarecimentos detalhados”, escreveu o diretor Luiz Fernando Mozna.

A agência reguladora pediu à distribuidora uma descrição completa do evento climático, incluindo o plano de contingência adotado após o alerta da Defesa Civil, datas e horários em que a empresa tomou conhecimento do ciclone e acionamento do plano. Também solicitou provas de que a Enel possui uma estrutura capaz de responder de forma ágil e eficaz a eventos climáticos.

O contrato atual da Enel SP vai até 2028, mas a empresa já solicitou renovação antecipada. A Aneel destacou que a recorrência de falhas pode levar à caducidade da concessão.

“A constante recorrência e a gravidade das falhas na prestação do serviço constituem descumprimento de cláusulas contratuais e dispositivos legais e regulamentares, podendo ensejar a recomendação de caducidade da concessão”, alertou a agência.

Enel mais uma vez coloca a culpa em evento climático

Parte do estado de São Paulo teve o fornecimento de energia interrompido já na terça-feira (9) devido à passagem do ciclone extratropical. Segundo a Enel, 2.052.401 clientes na Região Metropolitana de São Paulo foram afetados.

No site da concessionária, está escrito: “Informamos que nossa área de concessão foi afetada por um um ciclone extratropical e um vendaval histórico, segundo o Inmet, que perdurou por cerca de 12 horas nessa quarta-feira (10.12). As fortes rajadas de até 98km/h derrubaram árvores e lançaram galhos e outros objetos sobre a rede elétrica”.

“A rede elétrica foi atingida por objetos e galhos, além da queda de árvores, prejudicando o fornecimento. Hoje [quarta-feira], em São Paulo, a velocidade dos ventos chegou a 96,3 km/h”, informou a concessionária, acrescentando que 1,3 mil equipes foram mobilizadas para restabelecer a energia. O Corpo de Bombeiros recebeu 514 chamados apenas na manhã desta quarta.

O dado mais atualizado no site da Enel nesta quinta-feira (11) data conta de que 1.581.520 de domicílios, o que representa 18,59% do total, estavam com serviço de energia elétrica interrompido.

Devido à queda de árvores e energia, parques da cidade, como o Ibirapuera e o Parque de Ciência em São Paulo, do Instituto Butantan, permaneciam fechados.

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