Banco Central estuda alternativa à poupança para financiamento da casa própria

Perda estrutural de recursos e possível tributação de LCIs motivam busca por novo modelo de funding imobiliário
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na terça-feira (10) que a instituição está desenvolvendo, em parceria com os bancos — especialmente a Caixa Econômica Federal — uma alternativa à tradicional caderneta de poupança para financiar o crédito habitacional no Brasil.

A proposta deve incluir a captação direta no mercado financeiro e visa conter os impactos da contínua saída de recursos da poupança.

A declaração foi feita durante a abertura da Febraban Tech 2025, evento de inovação financeira realizado em São Paulo pela Federação Brasileira de Bancos.

Galípolo explicou que a saída de recursos da poupança tem um caráter estrutural, influenciado pela maior rentabilidade de outros produtos financeiros, especialmente após o avanço da educação financeira entre os brasileiros. “Acho que a perda de recursos é estrutural. É difícil competir com alternativas que oferecem mais retorno”, afirmou.

Ele destacou que a nova estrutura de funding será uma solução “ponte” enquanto se busca um modelo mais robusto e de longo prazo.

Movimento do Banco Central ocorre em meio à discussão sobre o IOF

A iniciativa do Banco Central ocorre em meio a discussões no governo envolvendo o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a taxação de investimentos hoje isentos de IR (Imposto de Renda), como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário).

A proposta de tributação integra o pacote fiscal para aumentar a arrecadação e ainda depende de aprovação no Congresso. A possível mudança foi criticada por entidades do setor, que veem risco à continuidade do financiamento habitacional.

O presidente da Caixa, Carlos Vieira, também presente ao evento, confirmou os estudos para diversificar as fontes de crédito imobiliário e voltou a defender a redução do compulsório bancário como forma de aumentar a liquidez do setor. A proposta, no entanto, enfrenta resistência dentro do próprio Banco Central.

Taxa Selic

Apesar do cenário econômico mais benigno, com inflação de maio abaixo das expectativas, Galípolo evitou qualquer sinalização sobre o futuro da decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada para a próxima semana. Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,75% ao ano.

“Os observadores do Copom podem relaxar, não vou passar nenhum tipo de mensagem sobre isso hoje”, brincou.

 

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