Depois do que fez com México, Canadá e China, os líderes da UE (União Europeia) já preparam o revide, caso o presidente Donald Trump coloque em prática a promessa de sobretaxar produtos europeus exportados aos Estados Unidos. Uma reportagem publicada no jornal Financial Times diz que um dos alvos da União Europeia são as big techs, empresas de tecnologia que se aliaram ao republicano.
O republicano afirmou que “absolutamente” atingirá a Europa com restrições comerciais, após as tarifas que anunciou contra a China, Canadá e México no sábado (1º) fim de semana. Nos dois primeiros casos, ele voltou atrás após negociação com esses países. A China, por sua vez, anunciou tarifas extras a produtos norte-americanos e recorreu à OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a medida de Trump. O governo chinês disse, no entanto, estar aberto a negociações.
Trump ainda não detalhou quais seriam as medidas ou quando seriam aplicadas contra a União Europeia.
“Se formos atacados em questões comerciais, a Europa, como uma potência que se considera tal, terá que se fazer respeitar e, portanto, reagir”, disse o presidente francês Emmanuel Macron na segunda-feira (3).
De acordo com a reportagem do Financial Times, a Comissão Europeia está buscando usar seu “instrumento anticoerção” (ACI na sigla em inglês) em uma potencial disputa com Washington, o que permitiria à UE atingir indústrias de serviços dos EUA, como as grandes empresas de tecnologia.
A reportagem do FT ouviu uma autoridade, que teria afirmado que “todas as opções estão sobre a mesa” e apontou o ACI como a resposta mais dura disponível sem violar o direito internacional. O instrumento, conhecido como “bazuca”, permite que a UE selecione entre uma ampla gama de medidas retaliatórias, como revogar a proteção dos direitos de propriedade intelectual ou sua exploração comercial, como downloads de software e serviços de streaming.
O ACI também permite que a União Europeia bloqueie investimentos estrangeiros diretos ou restrinja o acesso ao mercado para bancos, seguradoras e outros serviços financeiros.
Trump ameaça usar tarifas para coagir a Dinamarca a entregar a Groenlândia e pressionar a UE a desistir de ações de fiscalização contra empresas de tecnologia dos EUA.
Chefe de política externa da União Europeia vê China “rindo à toa”
A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse que se EUA e Europa iniciarem uma guerra comercial “quem estaria rindo à toa seria a China”.
“Estamos muito interligados. Precisamos da América, e a América também precisa de nós”, declarou ela, falando antes de uma reunião informal de líderes da UE em Bruxelas.
A UE tem o maior déficit comercial com os EUA. Trump exigiu, por exemplo, que as capitais europeias gastem mais em defesa para não correrem o risco de perder as garantias de segurança dos EUA que sustentam a defesa do continente desde a Segunda Guerra Mundial.
Macron disse que a Europa deve promover produtos domésticos para fortalecer sua posição comercial: “É decidindo comprar e preferindo compras europeias que [a Europa] será mais independente. É bastante simples.”
A Comissão Europeia representa o bloco de 27 países no comércio. “Estávamos ouvindo atentamente as palavras de [Trump] e, claro, também estamos nos preparando do nosso lado”, disse Kallas.
Em linha com Macron, o chanceler alemão Olaf Scholz disse que “como uma área econômica forte, podemos moldar nossos próprios assuntos e também podemos responder a políticas tarifárias com políticas tarifárias”.
Por sua vez, o ministro finlandês Petteri Orpo defendeu a negociação pela via diplomática. “Temos que negociar com Trump… este é um dos assuntos mais importantes hoje”, disse. “Não vou começar uma guerra. Quero iniciar negociações”, completou.
Balança comercial
O chanceler austríaco Alexander Schallenberg apontou que, enquanto os EUA têm um déficit comercial em bens com a União Europeia, o bloco tem um “déficit em serviços” com os norte-americanos. “Então, deveríamos ser capazes de chegar a um acordo lá.”
O presidente lituano Gitanas Nausėda disse que a Europa deveria se engajar em uma “agenda econômica positiva” com os EUA em vez de “lutar entre si” no comércio.