(Folhapress) – A Bolsa de Valores disparou 2,96% para 177.866 pontos, e o dólar fechou em queda de 0,29%, a R$ 5,1068, nesta sexta-feira (10). O forte desempenho do mercado local se deu pelo otimismo de investidores com cortes na Selic, após a inflação no Brasil vir menor que o esperado.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou a 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, apontou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã.
O resultado surpreendeu analistas ao ficar bem abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,31% para o sexto mês do ano, conforme a agência Bloomberg. A taxa de 0,16% foi menor até do que o piso das estimativas (0,26%).
Uma inflação mais baixa do que o esperado contribui para a expectativa de uma Selic menor, o que já reduz as taxas de juros futuros e contribui para a valorização da renda variável.
Na visão do economista Leonardo Costa, do ASA, cresce a chance de o Banco Central voltar a cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual em agosto.
Porém, ele diz que, embora represente um alívio moderado para o BC, o resultado do mês passado é insuficiente para alterar de forma relevante o diagnóstico de política monetária. “A inflação segue acima do teto do regime de metas, as expectativas permanecem desancoradas e a atividade doméstica continua resiliente.”
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está prevista para 4 e 5 de agosto. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano.
“O resultado do IPCA de junho é uma notícia bastante positiva para o Banco Central, pois retira parte da pressão do cenário inflacionário de curto prazo. Ainda assim, será necessário acompanhar os próximos dados para confirmar se a tendência de desaceleração terá continuidade”, afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
“Sem dúvida, o número (do IPCA) reforça a percepção de que o Copom seguirá cortando a Selic. Em agosto nos parece certo”, avaliou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório. “A dinâmica dos preços dos alimentos e do petróleo determinará a expansão do ciclo de corte.”
Na curva de juros futuros, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,85%, em queda de 19 pontos-base ante a sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,265%, com recuo de 17 pontos-base. Na semana, essas taxas acumularam baixas de 25 e 14 pontos-base, respectivamente.
Na última quarta-feira, atualização mais recente, a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 72% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 26,9% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Três semanas antes, em 17 de junho, o quadro era o inverso, com 27,5% para corte de 25 pontos-base e 67% para manutenção.
O recuo das taxas futuras no Brasil nesta sexta-feira ocorreu na contramão do exterior, onde os rendimentos dos Treasuries se firmaram em alta à tarde. Já o petróleo Brent se manteve acomodado ao longo do dia, perto dos US$ 76 o barril, ainda que o cenário da guerra no Oriente Médio seguisse nebuloso.
“Em teoria, a percepção de que o Banco Central terá mais espaço para reduzir os juros tende a pressionar para baixo os rendimentos dos títulos públicos, como já se observa na curva de juros. Ao mesmo tempo, juros menores costumam reduzir a atratividade do país para o capital estrangeiro, o que poderia gerar pressão de alta sobre o dólar”, diz Leonardo Oliveira Mattos, analista de Inteligência de Mercados da Stonex.
Segundo Mattos, a queda do dólar neste pregão reflete a melhora na percepção de risco sobre o ambiente geopolítico no Oriente Médio, sem novos ataques entre Estados Unidos e Irã entre ontem e hoje.
Durante a manhã, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país concordou em negociar com o Irã, depois que Teerã pediu a continuação das discussões, mas acrescentou que o cessar-fogo entre as duas nações “acabou”.
Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 2 pontos-base, a 4,561%.
Em Wall Street, os principais índices acionários também tiveram um dia positivo. O S&P 500 ganhou 0,42% e o Dow Jones e o Nasdaq tiveram alta de 0,29% cada um. Já os preços de petróleo fecharam em queda.
Na quinta (9), o dólar fechou em queda de 0,47%, a R$ 5,1221, e o Ibovespa subiu 1,22% a 172.740 pontos, em sessão que teve menor liquidez, pelo feriado no estado de São Paulo em virtude da Revolução Constitucionalista de 1932.
No pregão da véspera, investidores repercutiram com otimismo o anúncio de um investimento bilionário em IA (Inteligência Artificial). A Micron Technology planeja de investir mais de US$ 250 bilhões nos Estados Unidos até 2035, buscando atender à crescente demanda por chips de memória.
A notícia impulsionou as ações do setor de tecnologia nesta quinta, ofuscando os temores de que a retomada dos ataques pudesse prolongar o conflito no Oriente Médio e alimentar a inflação.
“Este continua sendo, em grande medida, um mercado de alta impulsionado pela inteligência artificial. Por um tempo, essa valorização começou a se espalhar para outros setores, mas isso depende de os preços do petróleo e as taxas de juros permanecerem estáveis”, afirmou Ross Mayfield, analista de estratégia de investimentos da empresa americana Baird.
Nesta semana, Donald Trump declarou que o acordo provisório com o Irã “acabou”, as Forças Armadas norte-americanas lançaram novos ataques contra o país. Já o Irã realizou ataques contra infraestruturas militares dos EUA em países vizinhos no Golfo Pérsico nesta quinta-feira, enquanto enterrava seu líder supremo assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, no santuário mais sagrado do país, em Mashhad.
“Na minha avaliação, isso faz parte da estratégia de negociação de Trump, e não de um colapso completo das negociações, embora a aversão ao risco possa prevalecer até que as notícias melhorem, diz Matthew Ryan, diretor de estratégia de mercado global da Ebury.
*Com Reuters