Com Selic em 15% ao ano, Brasil segue com o 2º maior juro real do mundo

Decisão do Banco Central mantém o país atrás apenas da Turquia no ranking global
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O Brasil segue com o segundo maior juro real do mundo, após o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidir, na quarta-feira (5), manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

De acordo com levantamento do MoneYou, o juro real brasileiro — taxa nominal descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses — ficou em 9,74%. A Turquia manteve a liderança do ranking, com 17,80%, enquanto a Rússia aparece em terceiro lugar, com 9,10%.

Abaixo, você confere o ranking do juro real:

  1. Turquia: 17,80%
  2. Brasil: 9,74%
  3. Rússia: 9,10%
  4. Argentina: 5,16%
  5. Índia: 4,21%
  6. Colômbia: 3,66%
  7. México: 3,54%
  8. África do Sul: 3,31%
  9. Tailândia: 2,77%
  10. Indonésia: 2,41%
  11. Filipinas 2,09%
  12. Hungria 1,97%
  13. Israel 1,87%
  14. China 1,76%
  15. Malásia 1,67%
  16. Hong Kong 1,52%
  17. Suécia 1,40%
  18. Chile 1,16%
  19. República Tcheca 1,06%
  20. França 1,03%
  21. Polônia 0,90%
  22. Itália 0,71%
  23. Cingapura 0,66%
  24. Nova Zelândia 0,58%
  25. Grécia 0,36%
  26. Coreia do Sul 0,31%
  27. Estados Unidos 0,26%
  28. Austrália 0,23%
  29. Suíça 0,07%
  30. Reino Unido 0,03%
  31. Taiwan 0,01%
  32. Bélgica 0,01%
  33. Portugal -0,17%
  34. Alemanha -0,40%
  35. Dinamarca -0,52%
  36. Espanha -1,08%
  37. Japão -1,35%
  38. Canadá -1,62%
  39. Áustria -1,99%
  40. Holanda -3,05%

O relatório do MoneYou ressalta que o Brasil ainda enfrenta incertezas inflacionárias, impulsionadas pelas preocupações com os gastos do governo e pela guerra tarifária de Donald Trump, fatores que afetam as decisões sobre juros.

A Argentina subiu da sexta para a quarta posição, com taxa real de 5,16%, refletindo ajustes monetários recentes.

Impacto da Selic inalterada no juro real

Com a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos — desde julho de 2006, quando estava em 15,25%, no primeiro mandato do presidente Lula (PT) —, o Brasil ocupa a quarta posição como a maior taxa de juros nominal (sem descontar a inflação) do mundo.

A manutenção marca a terceira reunião consecutiva sem alteração da taxa básica de juros.

Confira abaixo:

  1. Turquia: 39,50%
  2. Argentina: 29,00%
  3. Rússia: 16,50%
  4. Brasil: 15,00%
  5. Colômbia 9,25%
  6. México 7,50%
  7. África do Sul 7,00%
  8. Hungria 6,50%
  9. Índia 5,50%
  10. Indonésia 4,75%
  11. Filipinas 4,75%
  12. Chile 4,75%
  13. Polônia 4,50%
  14. Israel 4,50%
  15. Hong Kong 4,25%
  16. Estados Unidos 4,00%
  17. Reino Unido 4,00%
  18. Austrália 3,60%
  19. República Tcheca 3,50%
  20. China 3,00%
  21. Malásia 2,75%
  22. Nova Zelândia 2,50%
  23. Coreia do Sul 2,50%
  24. Canadá 2,25%
  25. Alemanha 2,15%
  26. Áustria 2,15%
  27. Espanha 2,15%
  28. Grécia 2,15%
  29. Holanda 2,15%
  30. Portugal 2,15%
  31. Bélgica 2,15%
  32. França 2,15%
  33. Itália 2,15%
  34. Taiwan 2,00%
  35. Suécia 1,75%
  36. Dinamarca 1,60%
  37. Tailândia 1,50%
  38. Cingapura 1,03%
  39. Japão 0,50%
  40. Suíça 0,00%

“Juros sufocam o setor produtivo”, afirma indústria

A decisão do Copom gerou críticas de entidades empresariais, que afirmam que o elevado custo do crédito freia o investimento, o consumo e a geração de empregos.

Ao blog da jornalista Míriam Leitão, em O Globo, a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) destacou, em nota, que o Brasil mantém “um dos níveis reais de juros mais altos do mundo”, mesmo diante de sinais de estagnação da atividade industrial.

“A manutenção de juros excessivamente elevados tem imposto custos significativos à economia brasileira, sobretudo à indústria, que depende de crédito acessível para investir, inovar, empregar e sustentar a competitividade do país”, disse a entidade.

A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) alertou que os juros altos ameaçam frear investimentos imobiliários e comprometer a geração de empregos. “A construção é um dos setores mais sensíveis ao custo do crédito. Uma Selic de 15% por um ciclo longo traz desafios, porque o setor depende de financiamento de longo prazo”, afirmou Renato Correia, presidente da CBIC.

A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) também criticou a decisão, afirmando que o cenário prolonga “custos financeiros elevados que afetam diretamente o acesso à moradia”.

Segundo estudo da entidade, o aumento das taxas retirou cerca de 800 mil famílias do mercado de crédito para compra de imóveis de até R$ 500 mil, uma redução de 50% no público elegível.

 

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