O governo Lula (PT) decidirá no próximo dia 18 se vai aceitar ou não o convite da Arábia Saudita para aderir à Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados), que funciona como um cartel mundial do petróleo. Não bastasse ir na contramão da maioria dos países desenvolvidos, que estão deixando de investir em energia suja, gerada pelo petróleo, para focar em energias renováveis devido à emergência climática, se o Brasil aderir ao fórum, isso acontecerá no ano em que o país sediará a COP30, Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, que acontece em Belém, no Pará.
A informação é do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que abordou o ingresso do Brasil na Opep+ com jornalistas nesta quarta-feira (5).
“É fundamental que a gente participe desses fóruns de discussão que nos permite avançar em especial na visão estratégica de desenvolvimento econômico, com sustentabilidade e resultados sociais. Vemos a plataforma Opep+ como uma plataforma fundamental para essa estratégia”, declarou Silveira a jornalistas em evento no Ministério de Minas e Energia.
O convite para o Brasil aderir à Opep+ veio após visita oficial do presidente Lula (PT) a Riade, Arábia Saudita, em 2023. O grupo já vinha sondando o governo brasileiro há alguns anos sobre a adesão do Brasil ao cartel que controla 40% da produção mundial de petróleo.
Em setembro daquele ano, Lula afirmou que a adesão do Brasil ao grupo dependeria “da circunstância política”. Na visita à Arábia Saudita, maior exportador global de petróleo, Lula conversou com o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, sobre o potencial das exportações brasileiras.
Criada em 1960, a Opep reúne 13 grandes países produtores de petróleo no mundo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Venezuela. O sinal + na sigla simboliza os países aliados, que não integram a organização propriamente, mas atuam de forma conjunta em algumas políticas internacionais ligadas ao comércio de petróleo e na mediação entre membros e não membros. É nesse grupo que o Brasil deve entrar.
O que acontece se o Brasil entrar na Opep+
No próximo dia 18 de fevereiro, acontece a reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), órgão de aconselhamento atrelado à Presidência da República, do qual participam o presidente Lula e os ministros, ocasião em que será discuta a adesão ou não do Brasil ao cartel.
O Ministério de Minas e Energia, segundo Silveira, recomenda a adesão. Se aprovada, ela acontece no ano em que o Brasil sediará a COP30. Ou seja, ao mesmo tempo em que pode fazer parte do cartel mundial da energia fóssil considerada a grande responsável pelas mudanças climáticas, o Brasil quer se firmar como liderança ambiental, endereçando um sinal ambíguo ao mundo.
Desde 2017, o Brasil se destaca como o maior produtor de petróleo da América Latina, segundo dados da AIE (Agência Internacional de Energia).
Ao longo dos últimos anos, o país continuou ampliando sua produção petrolífera, alcançando uma marca de 3,8 milhões de barris diários em 2022. Esse aumento significativo posicionou o Brasil como o oitavo maior produtor de petróleo do mundo.
Foz do Amazonas
Além da adesão à Opep+, outro tema que voltou à tona recentemente foi a exploração de petróleo na Foz do Amazonas pela Petrobras, ideia defendida por Silveira em contraposição ao que defende a ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, e ambientalistas.
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) informou na terça-feira (4) que o pedido da Petrobras para exploração de petróleo no local ainda está em análise pela equipe técnica do órgão e que não há prazo para uma resposta.
A informação foi dada um dia após o novo presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (União-AP), ter levado o tema ao presidente Lula.
Favorável à exploração, Alcolumbre pediu a Lula que o governo autorize a operação. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, Lula disse a Alcolumbre que “pessoalmente vai resolver” a questão e que o Brasil precisa da riqueza desses royalties.
Silveira fica
Na manhã de ontem, o presidente Lula disse que não haverá troca no comando do Ministério de Minas e Energia, em meio a rumores de que Silveira deixaria o cargo em uma possível reforma ministerial. Até o momento, ele é o único nome confirmado a permanecer no governo.
Questionado por jornalistas sobre o tema, o ministro disse que o elogio do presidente “aumentou a responsabilidade, aumenta o estímulo, a vontade de construir”.