O conselho de administração do Banco de Brasília (BRB) propôs aos acionistas um aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões por meio da emissão de novas ações. A proposta será analisada em assembleia marcada para 18 de março.
Na prática, o banco pretende emitir até 1,68 bilhão de novas ações, ao preço de R$ 5,29 por papel. O valor representa um prêmio de cerca de 12,8% em relação ao preço de fechamento da ação na segunda-feira (9), quando o papel encerrou o pregão a R$ 4,69.
Atualmente, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Caso a captação atinja o valor máximo previsto, o capital poderá chegar a R$ 11,2 bilhões, quase quatro vezes o montante atual.
O aumento de capital é um instrumento utilizado por empresas para levantar recursos junto a investidores, normalmente por meio da emissão de novas ações. Os valores arrecadados passam a integrar o caixa da companhia e podem ser destinados a investimentos, redução de dívidas ou fortalecimento da estrutura financeira.
Segundo o BRB, a operação busca ampliar a solidez da instituição e garantir condições para sustentar a expansão das atividades.
Em comunicado, o banco afirmou que a medida deve reduzir o grau de alavancagem do conglomerado prudencial, ampliar a capacidade de absorção de perdas e assegurar o cumprimento das exigências regulatórias do sistema financeiro.
Pacote do governo do DF
Além do aumento de capital, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que comprometeu as contas do BRB na tentativa de salvar o Banco Master, também colocou nove imóveis que ele ofereceu como garantia para um possível empréstimo de quase R$ 9 bilhões para o banco. Entre os imóveis, está uma área essencial para a qualidade e a quantidade de água que a cidade consome, conforme escreveu a jornalista do ICL Notícias Heloisa Vilella (clique aqui para ler).
Em uma representação junto ao Procurador-Geral do Ministério Público, Georges Seigneur, e às promotorias de Meio Ambiente, Urbanização e Patrimônio, o deputado distrital Gabriel Magno (PT) argumenta que a Serrinha, parte de um dos 9 terrenos escolhidos por Ibaneis, é uma Área de Proteção Ambiental de onde saem cerca de 40% a água potável que abastece o Lago Paranoá, local onde a Caesb, Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal, recolhe a água que distribui para seis regiões do DF: Paranoá, Itapuã, Lago Norte, Plano Piloto, Noroeste e Sudoeste.
Recentemente, foi a aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal um projeto que autoriza o governo local a utilizar diferentes instrumentos para apoiar o BRB. Entre as possibilidades estão aportes de recursos públicos, venda de imóveis pertencentes ao DF e contratação de empréstimos de até R$ 6,6 bilhões.
O texto também permite a transferência de terrenos e outros ativos ao banco ou sua utilização em operações financeiras — como a criação de fundos imobiliários — com o objetivo de levantar recursos.
Pressão após operações com o Banco Master
Entre 2024 e 2025, o BRB investiu cerca de R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Parte dessas operações, porém, passou a ser investigada por suspeitas de fraude.
Com a liquidação do Master, parte dos ativos adquiridos pelo BRB ficou bloqueada ou não chegou a ser incorporada ao patrimônio da instituição.
Auditorias conduzidas pelo Banco Central, por órgãos de controle e por consultorias independentes apontam que as perdas potenciais podem chegar a cerca de R$ 8 bilhões.
Diante desse cenário, o governo do Distrito Federal e a direção do banco buscam recompor o patrimônio da instituição, melhorar a liquidez e preservar o cumprimento das regras prudenciais do sistema financeiro.