Autoridades dos Estados Unidos e da China iniciam nesta segunda-feira (28), em Estocolmo (Suécia), mais uma rodada de negociações para tentar prorrogar a trégua tarifária bilateral, que expira em meados de agosto. Liderados pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e pelo vice-premiê chinês He Lifeng, os dois lados buscam amenizar tensões comerciais e avançar em temas sensíveis como tarifas, exportações de tecnologia e o combate ao tráfico de fentanil.
Na pauta, estão questões como a manutenção da suspensão tarifária, os impostos americanos sobre produtos relacionados ao fentanil — droga associada à crise de opioides nos EUA —, além das compras chinesas de petróleo russo e iraniano, alvos de sanções internacionais. A reunião é a terceira entre as partes em menos de três meses.
Bessent afirmou que o governo americano espera definir nesta rodada “o que provavelmente será uma extensão” da trégua atual.
Um eventual avanço pode viabilizar novo encontro entre o presidente Donald Trump e o presidente da China Xi Jinping, cogitado para ocorrer ainda este ano em uma cúpula na Coreia do Sul. Xi, inclusive, convidou Trump para uma visita oficial à China, embora a data não esteja definida.
China e EUA: chips, terras raras e opioides
As conversas também giram em torno do controle da China sobre ímãs de terras raras — estratégicos para a indústria de veículos elétricos e armamentos — e das restrições impostas pelos EUA à exportação de chips avançados, vitais para o desenvolvimento de inteligência artificial.
Outro ponto-chave é a tarifa de 20% sobre produtos associados ao fentanil, mantida desde o governo Trump. Pequim nega envolvimento direto no tráfico da substância, mas endureceu recentemente o controle sobre compostos químicos relacionados. Apesar disso, fontes americanas indicam que a chance de recuo na tarifa é pequena nesta rodada.
Energia e retaliações comerciais
As negociações também abrangem as importações chinesas de petróleo russo e iraniano, que os EUA tentam conter como parte de sua estratégia geopolítica. A China, porém, resiste à pressão, e veículos estatais já rechaçaram qualquer mudança de postura.
Do lado energético, os fluxos de petróleo, gás natural liquefeito e carvão dos EUA para a China caíram a zero em junho — reflexo de tarifas retaliatórias chinesas de até 15%.
Ainda assim, sinais de distensão começam a surgir. A China suspendeu neste mês uma investigação antitruste contra a DuPont e aumentou os embarques de terras raras, enquanto os EUA aliviaram restrições à exportação de semicondutores menos sofisticados.
Excesso industrial e agenda futura
O desequilíbrio causado pelo excesso da produção industrial da China também será tema das conversas.
Para os EUA, a estratégia de Pequim de manter alta capacidade produtiva pressiona os preços globais e distorce a competitividade. A comunidade empresarial norte-americana segue atenta e relativamente otimista.